A empresária Poliana Carvalho, de Barra do Garças (a 511 km de Cuiabá), divulgou uma nota de esclarecimento após a repercussão de um vídeo em que afirmou que não contrataria pessoas que apoiam o Partido dos Trabalhadores (PT) e que não fazia questão de atender clientes com esse posicionamento político. No documento enviado ao Semana7 nesta quinta-feira (29), ela classificou a gravação como um desabafo motivado por indignação e frustração política e contestou interpretações atribuídas às declarações.
Poliana afirmou que o vídeo foi gravado espontaneamente e publicado no perfil pessoal dela no Instagram, após o resultado das eleições. Segundo a empresária, a intenção foi manifestar sentimentos e preferências políticas, sem incentivar perseguições ou atos de violência.
“Não convoquei ninguém a perseguir pessoas, não incentivei atos de violência e não anunciei a demissão de qualquer funcionário”, declarou.
Sobre a fala a respeito de clientes que apoiam o PT, a empresária afirmou que não anunciou a intenção de impedir a entrada de pessoas na imobiliária ou recusar atendimento por divergência ideológica. Segundo ela, a declaração expressou uma preferência pessoal, e não uma prática efetiva de restrição comercial.
“Manifestei minha preferência pessoal, o que não deve ser confundido com uma prática efetiva de recusa de atendimento”, escreveu.
Na gravação que repercutiu na imprensa estadual, Poliana havia afirmado que não contrataria petistas para a empresa. Na nota, ela esclareceu que se referia a futuras contratações e negou ter anunciado a demissão de funcionários.
A empresária declarou que valoriza profissionais que compartilhem dos princípios éticos, da responsabilidade e dos objetivos do negócio. Também reconheceu que as contratações devem respeitar os direitos e as garantias previstos na legislação.
Poliana ainda defendeu a liberdade de expressão e citou o artigo 5º da Constituição Federal. Ela afirmou que não descumpriu nenhuma ordem judicial ao publicar o vídeo e argumentou que manifestações políticas não devem ser automaticamente tratadas como condenações criminais.
No documento enviado ao Semana7, Poliana também criticou a cobertura de outro veículo de comunicação, que, segundo ela, classificou as declarações como criminosas. A empresária afirmou ter sido bloqueada pelo jornal e relatou ter recebido informações de pessoas que disseram que comentários em defesa dela teriam sido excluídos da publicação.
Ela ressaltou, contudo, que não questiona a liberdade de imprensa nem o direito de outras pessoas discordarem de suas opiniões. Na nota, defendeu que a liberdade de expressão e a liberdade de imprensa sejam exercidas com responsabilidade e respeito aos direitos individuais.
Poliana afirmou que não pretende negar as declarações feitas no vídeo nem se retratar por suas convicções políticas. Disse ainda que sua trajetória profissional não deve ser resumida à gravação publicada nas redes sociais.
“A democracia não pode ser defendida apenas quando concordamos com aquilo que o outro diz. Ela precisa existir também para quem pensa diferente”, escreveu.
A repercussão das declarações ocorre em meio à investigação da Polícia Civil sobre a circulação de listas com nomes de profissionais liberais, empresários e estabelecimentos comerciais em Confresa e municípios da região. Conforme informado pela corporação na quarta-feira (28), o material era compartilhado em redes sociais e grupos de mensagens acompanhado de conteúdos que incentivavam boicotes e possíveis represálias por posicionamento político.
Até a divulgação do balanço policial, cinco pessoas haviam procurado a delegacia para registrar boletins de ocorrência.
Não há confirmação de que Poliana Carvalho seja investigada nesse caso ou de que o vídeo publicado por ela faça parte do procedimento policial.
O Ministério Público do Trabalho em Mato Grosso (MPT-MT), por sua vez, informou em balanço divulgado em outubro que acompanhava 19 procedimentos relacionados a possíveis casos de assédio eleitoral no estado, abrangendo nove municípios, entre eles Barra do Garças. A existência de procedimentos investigativos não significa, por si só, que tenha ocorrido uma irregularidade.
*A nota de esclarecimento foi enviada pela empresária ao Semana7, que publicou a manifestação nesta quinta-feira (29).
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