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Cidades Quarta-feira, 28 de Outubro de 2026, 16:07 - A | A

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Quarta-feira, 28 de Outubro de 2026, 16h:07 - A | A

“Aqui é minha casa”: histórias de acolhimento no Lar dos Idosos em AF

Instituição acolhe pessoas de seis municípios da região, mantém atendimento ininterrupto e recebe doações para complementar alimentação, higiene e assistência

JOSÉ VIEIRA /MATO GROSSO DO NORTE

JORNAL MATO GROSSO DO NORTE

abrigo dos idosos

Quem passa pela Perimetral Teles Pires, em Alta Floresta, nem sempre imagina a rotina de cuidados, dedicação e acolhimento que acontece por trás dos muros do Lar dos Idosos. No local, 39 pessoas idosas recebem assistência diária, alimentação, cuidados de saúde e, principalmente, atenção para viver com dignidade uma fase da vida marcada, em muitos casos, por perdas, fragilidade e ausência de vínculos familiares.

A instituição atende idosos de seis municípios da região: Alta Floresta, Apiacás, Nova Bandeirantes, Nova Monte Verde, Carlinda e Paranaíta. Cada cidade possui uma quantidade de vagas estabelecida por meio de convênios com as prefeituras, e o encaminhamento é realizado pelas equipes de Assistência Social, após avaliação da situação de cada pessoa.

Por trás de cada acolhimento existe uma história diferente. Muitos dos homens que vivem no lar chegaram à região durante o período dos garimpos ou trabalharam em fazendas.

Com o passar dos anos, envelheceram sem uma rede de apoio, perderam a autonomia para realizar atividades cotidianas e passaram a necessitar de cuidados permanentes.

“Os residentes recebem seis refeições diárias, além de assistência com os cuidados pessoais, acompanhamento das necessidades de saúde e serviços essenciais.”

Outros idosos foram abandonados, não possuem familiares ou enfrentam problemas de saúde e pertencem a famílias sem condições financeiras de oferecer a assistência necessária.

A institucionalização, explica a coordenação, é considerada a última alternativa, depois de tentativas de recuperação dos vínculos familiares e da avaliação de outras possibilidades de atendimento.

Manter uma instituição de longa permanência exige muito mais do que oferecer abrigo. É preciso garantir assistência contínua, alimentação adequada, higiene, acompanhamento de saúde, segurança e condições para que cada residente seja tratado com respeito e humanidade.

A coordenadora Lilian Carine de Andrade está à frente da instituição desde 2021, quando começou como voluntária na vice-presidência. Posteriormente, assumiu a coordenação profissional do local. Desde então, atua em conjunto com a diretoria para melhorar a estrutura, organizar as finanças e ampliar as condições de atendimento. “É um trabalho de muita dedicação, de muito amor, de muita humanização”, resume Lilian.

Atualmente, o lar tem capacidade para acolher 40 idosos e conta com 23 funcionários. O atendimento funciona 24 horas por dia, com cuidadoras, técnica de enfermagem por plantão durante o dia, equipe de limpeza e lavanderia, enfermeira responsável técnica, motorista e profissionais administrativos, entre outros trabalhadores.

Os residentes recebem seis refeições diárias, além de assistência com os cuidados pessoais, acompanhamento das necessidades de saúde e serviços essenciais para a rotina. A equipe trabalha para assegurar que as necessidades individuais sejam atendidas dentro das possibilidades da instituição.

A transformação da estrutura física e administrativa está entre os avanços alcançados nos últimos anos. Conforme Lilian, a gestão iniciada em 2021 encontrou uma dívida acumulada próxima de R$ 600 mil. Com reorganização financeira, parcerias e captação de recursos, a instituição conseguiu quitar os débitos.

Parte das melhorias foi viabilizada por projetos e recursos provenientes de emendas parlamentares, do Fundo Municipal da Pessoa Idosa e de iniciativas apresentadas ao Ministério Público. Entre as intervenções realizadas estão a troca do piso e melhorias no telhado.

JORNAL MATO GROSSO DO NORTE

abrigo dos idosos

 

Apesar dos avanços, a manutenção de uma estrutura desse porte exige atenção constante. Segundo a coordenadora, os valores repassados pelas prefeituras por meio dos convênios foram reajustados após negociações para adequar os pagamentos aos custos básicos do atendimento. Esses recursos ajudam a manter o funcionamento, mas não são suficientes para absorver todos os imprevistos e investimentos estruturais.

Doações

Se os convênios municipais ajudam a sustentar as despesas básicas, as doações têm papel fundamental para complementar o atendimento e suprir necessidades que surgem ao longo do mês.

A instituição recebe contribuições de empresários, agricultores e moradores de Alta Floresta. Entre os produtos entregues regularmente estão leite, frutas, verduras, legumes e outros alimentos. Também são importantes os materiais de enfermagem, como luvas de procedimento, além de produtos de higiene pessoal.

Lilian destaca que a solidariedade da população permite atender demandas que vão desde a alimentação dos residentes até os cuidados diários de higiene e saúde. Mas doar não significa necessariamente entregar qualquer produto em qualquer quantidade. Como as necessidades mudam de acordo com os estoques e as demandas da instituição, o planejamento das contribuições faz diferença.

A coordenadora explica que, em alguns períodos, determinados alimentos chegam em quantidade superior à necessidade imediata, enquanto outros itens estão em falta. Por isso, a orientação é entrar em contato com o lar antes de realizar a doação, para verificar quais produtos são mais necessários naquele momento.

Solidariedade

O trabalho desenvolvido no Lar dos Idosos de Alta Floresta envolve uma responsabilidade que vai muito além da administração de despesas e da organização de escalas. São pessoas que precisam de atenção permanente, respeito às suas histórias e condições para viver com dignidade.

A dedicação dos funcionários e o envolvimento voluntário da diretoria são partes fundamentais desse trabalho. Ao mesmo tempo, a participação da sociedade ajuda a sustentar melhorias, enfrentar imprevistos e garantir que os idosos continuem recebendo os cuidados necessários.

Em uma fase da vida em que muitos já não contam com familiares por perto, o acolhimento oferecido pela instituição representa a possibilidade de ter um lugar seguro, alimentação, assistência e convivência.

Por isso, a solidariedade não deve ser vista apenas como uma ajuda eventual, mas como uma parceria contínua com uma instituição que desempenha um papel essencial na proteção social da região.

Quem deseja contribuir pode entrar em contato diretamente com o Lar dos Idosos para conhecer as necessidades atuais e verificar a melhor forma de ajudar. Como reforça a coordenação, uma doação planejada, feita de acordo com as demandas reais, pode fazer diferença concreta na rotina de quem depende desse cuidado todos os dias.

Novo lar

Aos 88 anos, José Tomaz da Silva encontrou no Lar dos Idosos de Alta Floresta um lugar para viver com segurança, respeito e acolhimento. Morador da instituição há dois anos e meio, ele chegou após perceber que já não tinha condições de morar sozinho, devido ao enfraquecimento das pernas e às dificuldades para cuidar de si.

“Fui muito bem cuidado aqui. Todos têm muito respeito. Para mim, aqui eu considero agora minha casa”

, relata Joaquim ao falar sobre a forma como é tratado pela equipe.

Além de encontrar um ambiente onde recebe os cuidados necessários, José também encontrou uma maneira de contribuir com a rotina do lar. Com experiência profissional como pedreiro e encanador, ele passou a dedicar parte do tempo ao cultivo e à organização do jardim da instituição, plantando flores e recuperando espaços que antes estavam sem cuidados.

A iniciativa surgiu por vontade própria, depois de conversar com a coordenação e receber autorização para colocar em prática o que gosta de fazer. Aos poucos, o espaço foi ganhando novas plantas e formas, com o apoio da diretoria e das pessoas que convivem com ele.

A história de Joaquim mostra que o acolhimento vai além da assistência diária. Mesmo precisando de cuidados, os idosos também têm conhecimentos, experiências e habilidades que podem contribuir para o ambiente em que vivem. No caso dele, o jardim se tornou uma forma de manter o vínculo com uma atividade de que gosta e de deixar sua marca na instituição que hoje considera sua casa.

“Fui muito bem cuidado aqui. Todos têm muito respeito. Para mim, aqui eu considero agora minha casa.”

Assim, entre os cuidados oferecidos pela equipe e a solidariedade da comunidade, o Lar dos Idosos também se constrói a partir de pequenas iniciativas que fortalecem o sentimento de pertencimento e ajudam a tornar o espaço mais acolhedor para todos.

Como a população pode ajudar

Entre os itens que precisam ser repostos com frequência estão lenços umedecidos, sabonete líquido e desodorante aerossol. Alimentos, hortifrúti, leite e materiais de enfermagem também podem ser importantes, conforme a demanda da semana ou do mês.

A instituição mantém uma rede de parceiros que pode ser acionada de acordo com as necessidades identificadas pela equipe. Essa organização permite direcionar melhor as contribuições e evitar desperdícios, fazendo com que os produtos cheguem aos idosos de maneira mais eficiente.

Além das doações de materiais e alimentos, a comunidade pode contribuir por meio da participação em campanhas, eventos beneficentes e iniciativas de arrecadação promovidas em favor do lar.

Para a coordenação, cada contribuição tem valor, mas a continuidade desse apoio é essencial. A casa precisa manter alimentação, higiene, assistência e estrutura adequadas todos os dias, independentemente de haver ou não uma campanha em andamento.

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