A Agência Brasileira de Inteligência (ABIN) monitorou 280 ameaças de ataques a escolas no Brasil e afirma ter ajudado a impedir 22 atentados apenas em 2025. Os dados foram apresentados nesta quarta-feira (7), durante o Encontro SISBIN Centro-Oeste 2026, realizado em Cuiabá, que reuniu profissionais da educação, forças de segurança, parlamentares e pesquisadores para discutir o avanço da radicalização de jovens e a prevenção da violência extremista no ambiente escolar.
O debate ocorre em meio à preocupação nacional com novos casos de violência em escolas, dias após um ataque em Rio Branco (AC) resultar na morte de duas funcionárias. Durante o evento, especialistas apontaram que os atentados não costumam ser impulsivos, mas resultado de processos de radicalização alimentados principalmente em ambientes digitais.
O diretor-geral da ABIN, Luiz Fernando Corrêa, afirmou que ataques registrados em qualquer região do país têm impacto nacional e defendeu maior integração entre órgãos públicos, escolas e famílias para prevenir novos casos.
O encontro contou com a participação do senador Wellington Fagundes (PL), da deputada estadual Sheila Klener (PSDB) e representantes de universidades e da segurança pública. Entre os temas debatidos estiveram a atuação da inteligência estatal, políticas de segurança escolar, legislação preventiva e o papel das redes sociais na disseminação de discursos extremistas.
Segundo os especialistas, o monitoramento considera fatores psicossociais, participação em grupos extremistas, acesso a meios de violência e períodos considerados sensíveis, como datas associadas a ataques anteriores. Também foram discutidas comunidades virtuais ligadas à misoginia, ao racismo e à glorificação da violência, incluindo grupos associados à cultura “incel” e fóruns extremistas online.
Apesar da redução no número de ataques consumados em comparação aos anos anteriores — foram três registros em 2025, com uma morte e oito feridos — os participantes defenderam a manutenção das ações preventivas e o fortalecimento da articulação entre escola, saúde pública, famílias e forças de segurança.
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