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ESPUMA DE DETERGENTE

Robôs bolsonaristas criaram "farsa da Ypê" para proteger Flávio sobre Banco Master, diz levantamento

Investigação aponta que metade dos perfis que defenderam a marca de limpeza eram contas automatizadas tentando distrair o público após o vazamento do caso Bolsomaster

ANDRÉ ALVES
Da Redação

Uma investigação sobre as interações digitais feitas pelo Projeto Brief revelou que a metade dos perfis que saíram em defesa da marca de detergente Ypê nas redes sociais era composta por robôs bolsonaristas. A mobilização artificial teria sido uma estratégia coordenada pela extrema direita para criar uma cortina de fumaça e abafar o escândalo envolvendo o senador Flávio Bolsonaro, que foi flagrado em áudio vazado pedindo 134 milhões de reais ao dono do Banco Master.

A narrativa criada pelo grupo bolsonarista tentou transformar uma ação sanitária da Anvisa, que recolheu lotes problemáticos do produto, em uma suposta perseguição política contra a empresa, historicamente associada ao bolsonarismo. Antes mesmo que influenciadores e políticos do espectro conservador aparecessem em vídeos lavando a barba ou bebendo o detergente, milhares de contas automatizadas já haviam inflado o volume de menções ao termo na internet, saltando de duas mil para mais de 600 mil postagens em poucos dias.

LEIA MAIS: Ypê recomenda suspender uso de produtos e orienta guardar itens afetados

A análise feita pelo projeto das dez páginas da internet mais compartilhadas sobre o assunto comprovou que o engajamento inicial não partiu de pessoas reais, mas sim de disparos organizados por algoritmos. O objetivo da linha de conteúdo era vacinar a militância contra notícias negativas, gerando um ambiente de distração focado no boicote imaginário à marca de limpeza antes que a opinião pública absorvesse o impacto do caso de corrupção.

Apesar da tentativa de manipulação digital, a estratégia defensiva falhou quando o escândalo do áudio vazou pelo Intercept. A militância bolsonarista tentou emplacar uma segunda narrativa artificial de empate moral, alegando que o banqueiro Daniel Vorcaro também teria financiado produções ligadas à esquerda, mas a tese estreita não ganhou tração diante do volume de críticas reais.

Os dados confirmaram a derrota da estrutura de robôs no caso apelidado de Bolsomaster. O campo progressista superou as contas automatizadas em diversidade de argumentos e engajamento, somando 4 milhões de interações contra 2,6 milhões dos perfis direitistas, e consolidou o termo como o principal selo do escândalo financeiro nacional.

LEIA MAIS: Daniel Vorcaro teria negociado R$ 134 milhões com Flávio Bolsonaro para filme sobre Jair

*Com informações do Projeto Brief

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