O senador Flávio Bolsonaro teria atuado diretamente na negociação de um aporte de aproximadamente R$ 134 milhões para financiar o filme “Dark Horse”, produção biográfica sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. A informação consta em reportagem publicada pelo The Intercept Brasil, baseada em mensagens, áudios, comprovantes bancários e documentos atribuídos ao banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
A reportagem é assinada pelos jornalistas Paulo Motoryn, Eduardo Goulart, Laís Martins, Andrew Fishman, Cecília Olliveira, Leandro Becker e Mauricio Moraes.
Segundo o Intercept, Vorcaro teria se comprometido a repassar US$ 24 milhões, cerca de R$ 134 milhões na cotação da época, para custear o longa-metragem. Os documentos analisados pelo veículo indicam que ao menos US$ 10,6 milhões, aproximadamente R$ 61 milhões, já teriam sido transferidos entre fevereiro e maio de 2025 em seis operações financeiras.
De acordo com a publicação, as negociações teriam contado ainda com a participação do deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro, do deputado federal Mario Frias e do empresário Thiago Miranda, ex-CEO do Portal Leo Dias.
A reportagem afirma que parte dos recursos teria sido enviada pela empresa Entre Investimentos e Participações ao fundo Havengate Development Fund LP, sediado no Texas, nos Estados Unidos, apontado como ligado a aliados de Eduardo Bolsonaro. O material também menciona a atuação do pastor Fabiano Zettel, citado como operador financeiro ligado a Vorcaro.
As mensagens divulgadas mostram cobranças relacionadas ao cronograma de pagamentos e preocupação com atrasos na produção do filme. Em um dos diálogos reproduzidos pelo Intercept, Flávio Bolsonaro afirma a Vorcaro: “Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz”.
Segundo a reportagem, a mensagem foi enviada em novembro de 2025, um dia antes da prisão de Daniel Vorcaro durante investigações sobre um suposto esquema de fraude financeira envolvendo o Banco Master. Posteriormente, a instituição teve liquidação decretada pelo Banco Central.
O Intercept relata ainda que documentos analisados incluem cronogramas de desembolso, registros de transferências internacionais e áudios em que Flávio Bolsonaro demonstra preocupação com pagamentos a integrantes da equipe internacional do filme, incluindo o ator Jim Caviezel e o diretor Cyrus Nowrasteh.
Questionado pelo Intercept nesta quarta-feira (13), próximo ao Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Bolsonaro negou as informações e afirmou que o conteúdo divulgado seria “mentira”. Segundo o veículo, o senador deixou o local após responder aos jornalistas.
A reportagem informa ainda que Flávio Bolsonaro, Daniel Vorcaro, Eduardo Bolsonaro, Mario Frias e outros citados foram procurados, mas não haviam respondido até a publicação do material. O espaço permanece aberto para manifestações.
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