Brasil Terça-feira, 02 de Agosto de 2011, 16:06 - A | A

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CRISE NOS TRANSPORTES

'PR não é lixo para ser varrido da administração', diz Nascimento

Em um longo discurso, Nascimento rebateu uma a uma todas as acusações feitas contra seus familiares e sua gestão no Ministério dos Transportes

DA FOLHA DE SÃO PAULO

Em discurso na tribuna do Senado, o ex-ministro Alfredo Nascimento (Transportes) rebateu nesta terça-feira (2) todas as acusações de corrupção no Ministério dos Transportes que levaram à sua renúncia do cargo.

O senador que o PR, partido do qual é presidente, "não é lixo" nem pode ser "varrido" da vida pública depois das denúncias na pasta.

"O PR, cuja presidência assumi, não é lixo para ser varrido da administração. Nosso partido carrega tanto as qualidades quanto alguns defeitos de alguns partidos. Não somos melhores nem piores que ninguém. Ao contrário. Temos como prática diante de denúncias garantir que delitos cometidos por nossos filiados sejam investigados e punidos", afirmou.

Em tom de desabafo, Nascimento disse que tem 30 anos de vida pública e não aceita ser tratado como acusado. "Paira sobre o meu nome dúvidas. Fui ao procurador-geral da República para ser investigado, autorizei a quebra dos meus sigilos fiscal e bancário. Assim deve proceder um homem que tem vergonha na cara. Eu não mereço isso, tenho 30 anos de vida pública."

O ex-ministro disse que o PR, o partido que agora "alguns querem varrer da vida pública", vai manter seu apoio à presidente Dilma Rousseff --mesmo depois da "limpeza" que a petista promoveu no Ministério dos Transportes ao afastar 24 servidores do órgão.

"Continuaremos a apoiar a presidente Dilma convencidos que é isso que esperam nossos eleitores. Nos últimos anos, fui um ministro convocado para resolver problemas. Não aceito que usem meu nome e brinquem com a minha carreira para corrigir distorções que não criei. Que cada um assuma sua responsabilidade."

Apesar de manter o apoio a Dilma, Nascimento afirmou que decidiu deixar o governo após as denúncias que envolveram seu nome e de familiares por não ter recebido, naquele momento, apoio da presidente.

"Renunciei ao cargo de ministro no momento em que, diante dos ataques violentos contra mim deferidos, não recebi do governo o apoio que me havia sido prometido pela presidente Dilma. Deixei o ministério convencido de que aqui no Senado eu poderia esclarecer os fatos e recolocar o debate no seu devido lugar", afirmou.

ACUSAÇÕES

Em um longo discurso, Nascimento rebateu uma a uma todas as acusações feitas contra seus familiares e sua gestão no Ministério dos Transportes. O ex-ministro se mostrou irritado, em especial, com a denúncia de que seu filho Gustavo foi dono de uma empresa que teria recebido dinheiro do ministério.

"Meu filho não é um daqueles que se apropriam do dinheiro público em benefício próprio. O meu filho não é ladrão. Eu vou provar porque tenho toda documentação da Receita Federal, o Imposto de Renda do meu filho, balanço patrimonial da empresa. Eu vou buscar a correção dessa injustiça."

Com números e planilhas que reúnem os gastos da empresa do filho, Nascimento disse que Gustavo conseguiu crescer nos negócios sem o seu apoio ou participação do governo.

Nascimento também negou que tenha autorizado a montagem de um esquema de superfaturamento de obras e cobrança de propina a empreiteiras e consultorias ligadas ao Ministério dos Transportes. "Como é possível agora, e somente agora, ser submetido a julgamento desprovido de provas e de forma tão sumária?", questionou.

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