Conforme boletim de ocorrência, ao qual a reportagem teve acesso, a polícia foi acionada por volta das 2h30 da madrugada de sábado, 10, para a Avenida Moreira Guimarães, na altura do número 1.285, onde fica uma passarela. A denúncia informava que a vítima, identificada como Gustavo Munis de Santana, estaria "transtornado" e ameaçando a efetuar um disparo contra si.
Na versão relatada à Polícia Civil, o rapaz apresentava "postura ameaçadora" e ficava "colocando a mão na cintura". Depois da chegada da PM, que mobilizou inicialmente uma viatura, Gustavo teria corrido, atravessado a passarela e se abrigado em um imóvel na Alameda dos Guaramomis.
Para contê-lo, outras três viaturas foram deslocadas. Gustavo, então, teria saído de uma área escura do imóvel, corrido em direção aos policiais com os braços estendidos e apontando "para um objeto escuro".
Na sequência, os PMs teriam disparado contra Gustavo. Foram 45 tiros - todos com pistolas calibre .40 da corporação - efetuados por quatro policiais diferentes, segundo a perícia. As quatro armas usadas foram apreendidas.
A dinâmica da ocorrência foi registrada pelas câmeras corporais dos agentes. As informações preliminares colhidas pela perícia horas depois do crime, apontam que os dispositivos mostram Gustavo vindo de uma área escura junto à fachada de um imóvel, e estende os braços apontando algo na direção da rua antes de os policiais abrirem fogo.
Segundo o boletim de ocorrência, o objeto preto para qual o jovem apontava era um aparelho celular.
A perícia indicou também que o rapaz morava com a mãe e com a irmã, fazia tratamento com uso de antidepressivos e não tinha antecedentes criminais. Dele, foi apreendido apenas o celular.
Em entrevista ao SBT sob a condição de anonimato, a irmã do jovem negou que ele estivesse armado. "Eles estão tentando tachar meu irmão como se ele estivesse tentando roubar; como se ele estivesse tentando fazer alguma coisa errada ou como se o meu irmão estivesse armado. E nada disso é verdade", disse a mulher.
A SSP informou que as polícias Civil e Militar investigam as circunstâncias da morte. O caso foi registrado no Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP). Em nota, a pasta afirmou que a conduta dos agentes será apurada por meio de Inquérito Policial Militar (IPM) e declarou que eventuais irregularidades serão punidas com rigor.
(Com Agência Estado)
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