"Não consigo imaginar que alguém possa propor me negar a legenda na Rede Sustentabilidade", afirmou em entrevista à GloboNews.
As declarações ocorrem um dia após o diretório nacional do partido publicar uma nota criticando sua decisão de permanecer na legenda. A Rede afirmou ter recebido o anúncio com "indignação e perplexidade" e acusou a ex-ministra de se recusar a dialogar com a direção partidária.
Na entrevista, Marina respondeu que não pode "permanecer fazendo de conta que vários diretórios legitimamente eleitos foram dissolvidos e foram impostas direções provisórias". Acrescentou: "Não posso negar que existem divergências em relação ao programa, ao estatuto e aos princípios fundantes pelos quais milhares de pessoas se mobilizaram para coletar assinaturas".
"Isso não tem nada a ver com desrespeito ou falta de diálogo", completou. "Como somos uma federação, quem vai assegurar a legenda é a federação. Não estou descumprindo, em nenhum milímetro, o estatuto, o programa e o manifesto da Rede Sustentabilidade."
No sábado, 4, último dia da janela partidária, Marina comunicou que permaneceria na legenda. Disse querer trabalhar na "restauração dos princípios e valores" da sigla e citou o manifesto de fundação para embasar sua decisão.
Na mesma nota, declarou apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e à candidatura de Fernando Haddad ao governo de São Paulo, e formalizou sua candidatura ao Senado pela federação liderada pelo PSOL, ao lado de Simone Tebet, do PSB.
Também anunciou a intenção de fortalecer alianças com PT, PSB, PV, PDT e PCdoB, partidos que classificou como os que "não se deixam capturar pelo autoritarismo e pelo negacionismo".
A resposta do diretório nacional, assinada no domingo, 5, e divulgada dois dias depois, foi direta. "As especulações sobre sua saída sempre partiram dela ou de seu grupo, jamais da direção legitimamente eleita", diz o comunicado.
O partido negou ter expulsado ou perseguido qualquer filiado e argumentou que jamais aplicou sanções a Marina mesmo em momentos de divergência aberta, como o apoio dela à candidatura presidencial de Aécio Neves (PSDB) em 2014, a defesa do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) e a concordância com a intervenção federal no Rio de Janeiro em 2018.
"Não atender pretensões pessoais de uma liderança não é autoritarismo. É compromisso com a vida democrática interna", diz o texto, que acusa o grupo da ex-ministra de tentar paralisar o partido, judicializar impasses políticos e bloquear suas contas.
O partido acusou ainda o grupo de Marina de praticar lawfare, termo em inglês usado para descrever o uso do sistema judicial como instrumento de disputa política, com o objetivo de enfraquecer adversários por meio de processos e litigância em vez de debate político convencional.
A Rede citou "centenas de ações" movidas contra a direção como exemplo dessa prática e rebateu a tese de que o 5º Congresso Nacional da sigla teria sido anulado pela Justiça. Afirmou que a maior parte das ações foi rejeitada e que a atual direção segue reconhecida, "inclusive com integrantes do grupo de Marina em sua composição".
A nota da Rede negou que a saída recente de mandatários represente perseguição e citou a chegada dos deputados André Janones (MG) e Luizianne Lins (CE) como sinal de crescimento orgânico da sigla. "Houve uma tentativa frustrada de esvaziamento eleitoral, que não prosperou", diz o comunicado.
Sobre 2026, o partido afirmou que as decisões sobre apoios e candidaturas "serão tomadas no âmbito do partido com diálogo e bom senso, mas de forma altiva e sem interferências externas" e que "divergências devem ser enfrentadas pelas vias estatutárias, com debate franco e leal".
Ao final, o diretório reafirmou apoio a Lula e a Haddad e disse que todos os que desejarem fortalecer eleitoralmente a sigla são bem-vindos, desde que respeitadas "as regras partidárias e do bom convívio".
(Com Agência Estado)
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