O influencer mexicano César Gastélum, de 25 anos, foi morto a tiros enquanto fazia uma transmissão ao vivo em Culiacán, no estado de Sinaloa, no México. O ataque aconteceu na noite de terça-feira (4), quando dois homens em uma motocicleta se aproximaram do local onde ele estava e efetuaram os disparos.
Gastélum estava acompanhado de dois amigos em frente a um restaurante quando foi atacado. A transmissão continuou registrando a ação, que foi acompanhada por centenas dos mais de 500 mil seguidores do criador de conteúdo no TikTok.
Conhecido como “Cesarín”, Gastélum publicava vídeos sobre humor, desafios, viagens, carros, vida noturna e estilo de vida. O assassinato chamou atenção para a crescente presença de símbolos e narrativas ligados ao narcotráfico no ambiente digital mexicano.
Segundo as autoridades, ainda não há confirmação de que o influencer tivesse envolvimento com organizações criminosas ou estivesse sendo investigado por atividades ilegais. A Procuradoria de Sinaloa informou, entretanto, que algumas publicações feitas por Gastélum fazem parte das linhas de investigação.
A imprensa local relacionou parte desse conteúdo à “La Mayiza”, facção do Cartel de Sinaloa ligada ao traficante Ismael “El Mayo” Zambada. Gastélum também havia sido visto usando um sombrero associado ao grupo.
A motivação do assassinato ainda não foi esclarecida. As autoridades mexicanas investigam o caso e buscam identificar os responsáveis pelos disparos.
Pelo menos 10 influencers mortos
O assassinato de Gastélum ocorre em meio a uma sequência de mortes de criadores de conteúdo em Sinaloa. Desde o início da guerra entre facções do Cartel de Sinaloa, há cerca de dois anos, pelo menos 10 influencers foram assassinados no estado.
Outro caso que ganhou repercussão internacional foi o da influencer Valeria Márquez, que também foi morta a tiros enquanto realizava uma transmissão ao vivo pelo TikTok.
Em janeiro de 2025, panfletos foram lançados de um avião sobre Culiacán com nomes de 25 influencers e músicos que seriam ligados à “La Mayiza”. Alguns dos citados já haviam sido assassinados e outros morreram posteriormente.
Apesar da sequência de casos, especialistas alertam que a associação entre os influencers assassinados e o narcotráfico não significa necessariamente que todos tivessem envolvimento com organizações criminosas.
Narcotráfico usa redes para divulgar símbolos
A atuação de grupos criminosos nas redes sociais criou um fenômeno conhecido como “narcoinfluenciador”. O termo é usado para descrever criadores de conteúdo que, em diferentes circunstâncias, acabam envolvidos na divulgação de símbolos, valores ou narrativas associados ao narcotráfico.
Durante décadas, os cartéis utilizaram os chamados narcocorridos, músicas que retratam e, em alguns casos, exaltam personagens e histórias relacionadas ao crime organizado.
Com o crescimento das redes sociais, essa divulgação ganhou novos formatos. Conteúdos sobre carros de luxo, festas, viagens, dinheiro e ostentação podem ser utilizados para construir uma imagem de poder e riqueza ligada às organizações criminosas.
Em Sinaloa, facções rivais também passaram a utilizar hashtags, símbolos e referências próprias para marcar presença no ambiente digital.
Influencers também são investigados por lavagem
Além da propaganda, autoridades mexicanas investigam possíveis relações entre criadores de conteúdo e esquemas de lavagem de dinheiro.
Em julho de 2025, a Unidade de Inteligência Financeira do México divulgou uma lista com 64 influencers de Sinaloa que eram investigados por suspeitas de utilização de perfis e atividades comerciais para movimentar recursos de origem ilícita.
Entre os mecanismos analisados estão rifas, sorteios, empreendimentos, patrocínios e assinaturas, atividades que podem gerar receitas a partir da popularidade conquistada nas redes.
Gastélum, porém, não estava entre os nomes investigados pela Unidade de Inteligência Financeira.
O caso reforça a preocupação com a exposição de criadores de conteúdo em regiões onde organizações criminosas disputam território e influência. Mesmo sem comprovação de vínculo com grupos criminosos, a visibilidade nas redes pode colocar pessoas em meio a disputas que também passaram a ocupar o ambiente digital.
As autoridades mexicanas continuam investigando o assassinato para esclarecer a motivação e identificar os responsáveis pelo crime.
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