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Brasil Sexta-feira, 18 de Setembro de 2026, 16:00 - A | A

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Gleisi acusa Deltan, Chiquini e Filipe Barros de violência política de gênero e pede apuração

CONTEÚDO ESTADÃO
da Redação

A candidata ao Senado pelo Paraná Gleisi Hoffmann (PT) acionou, nesta quinta-feira, 17, o Ministério Público Eleitoral (MPE) contra Deltan Dallagnol (Novo), Filipe Barros (PL) e Jeffrey Chiquini (Novo) por violência política contra a mulher. A peça reúne quatro episódios, ocorridos entre março e setembro deste ano, com referências sexualizadas, ataques à aparência e imagens produzidas por inteligência artificial dirigidas à petista.

Nas eleições de outubro, Deltan e Barros disputarão as duas vagas do Paraná para o Senado na chapa majoritária do PL. Chiquini tentará um mandato na Câmara dos Deputados.

O primeiro episódio citado pela defesa de Gleisi ocorreu em 23 de março. Durante discurso na Câmara dos Deputados sobre os atos de 8 de janeiro, Gleisi mencionou parlamentares investigados, entre eles Filipe Barros. O deputado respondeu posteriormente em vídeo publicado no TikTok.

Na gravação, Barros afirmou que Gleisi deveria "lavar a boca antes de falar" em seu nome e disse que a petista já havia sido investigada por corrupção e teria recebido os apelidos de "amante" e "coxa" em registros ligados à Odebrecht.

O segundo fato apresentado ocorreu em 22 de abril e envolve Deltan Dallagnol. Segundo a notícia-crime, o candidato publicou no Instagram um vídeo em que associa um suposto codinome atribuído a Gleisi em uma planilha da Odebrecht à música "Amante Não Tem Lar", de Marília Mendonça.

No vídeo reproduzido pela defesa, Deltan diz que "amante" e "narizinho" teriam sido apelidos de Gleisi e, ao acusá-la de mentir, afirma que o segundo deveria ser alterado para "narigão", em referência ao personagem Pinóquio.

"É, a amante não tem lar por aqui", diz Deltan em outro trecho reproduzido no documento.

O terceiro episódio ocorreu em 22 de agosto, já durante a campanha eleitoral. Filipe Barros publicou um vídeo em resposta à identidade visual adotada por Gleisi, que utiliza uma onça como símbolo da campanha ao Senado.

"Quer dizer que a Gleisi tá dizendo que é uma onça? Ela tá mais para raposa no galinheiro", diz Barros no início da publicação reproduzida pela defesa.

Ao longo do vídeo, o candidato compara Gleisi também a uma cobra, a um bicho-preguiça e a um escorpião. As falas são acompanhadas por imagens geradas por inteligência artificial que representam a petista como os animais mencionados.

Barros também faz referência a Lula ao dizer que Gleisi "pede ajuda pro sapo barbudo" e, ao final, pede votos para sua candidatura ao Senado.

O quarto episódio ocorreu em 9 de setembro, após o julgamento pelo Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR) do registro de candidatura de Deltan Dallagnol.

Um story publicado no perfil de Jeffrey Chiquini mostra Deltan, Chiquini, o candidato a deputado federal Guilherme Kilter e outros dois homens comemorando a decisão. Sobre a gravação aparece a frase "Deltan elegível. CHUPA, PT!".

Segundo a notícia-crime, durante a comemoração, uma das pessoas presentes grita "Chupa, Gleisi!". Na sequência, Deltan olha para quem grava o vídeo e repete: "Chupa!".

Para a defesa de Gleisi, as manifestações configuram violência política de gênero porque recorrem a referências sexualizadas, ataques à aparência e estereótipos associados às mulheres para humilhar e desqualificar a candidata. Os advogados sustentam que os conteúdos não se limitam à crítica política, mas utilizam a condição de mulher de Gleisi como instrumento para constrangê-la e prejudicar sua atuação política e eleitoral.

A defesa de Gleisi pede a abertura de investigação pela Polícia Federal, a preservação das publicações e de dados das redes sociais, perícias em vídeos e, ao fim das diligências, o oferecimento de denúncia criminal caso o Ministério Público entenda configurados os crimes apontados.

O Broadcast Político entrou em contato com os candidatos acusados, mas ainda não obteve retorno.

(Com Agência Estado)

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