Esse grupo de quatro parlamentares alega desproporcionalidade no repasse dos recursos. Segundo eles, o partido estaria dando preferência ao presidente da federação PSOL-Rede, Juliano Medeiros e psolistas neófitos como Manuela d'Ávila. O grupo diz que o programa de fomento a candidaturas de mulheres, negros e pessoas com deficiência estaria sendo "desmontado" pela presidente do partido, Paula Coradi.
É um sentimento que também era compartilhado por outros psolistas nos bastidores. Coube ao grupo capitaneado por Hilton tornar pública a queixa.
"É um absurdo que a direção partidária feche os olhos para essa realidade. Hoje, Juliano Medeiros, em sua primeira candidatura, teria exatamente a mesma prioridade que eu. Manuela D'Ávila, que acabou de chegar ao partido, tem previsão de receber mais que o dobro", escreveu Erika.
Ela disse que esse plano representa "o privilégio branco e cis sobrepondo tudo: os acordos feitos conosco, cálculos eleitorais sérios". "A inteligência política passou longe. É uma tentativa de asfixiar quem está na linha de frente em detrimento de um perfil de pré-candidaturas bem específico, de grupos que só pensam em si mesmos e estão, mais uma vez, arriscando a viabilidade do PSOL", afirmou a deputada.
Azevedo, aliado do Erika e principal mobilizador da pauta do fim da escala 6x1 no PSOL, reforçou os argumentos da deputada e cobrou transparência do diretório do partido. "É imperativo questionar os critérios de distribuição de recursos eleitorais, pois toda direção tem o direito de fazer escolhas, mas também o dever de assumi-las publicamente" disse.
Renata Souza afirmou que o partido está repetindo práticas de "legendas que instrumentalizam a pauta de gênero e raça para, no fim, fortalecer os homens brancos no poder".
"O partido de Marielle Franco tem que ser exemplo! Não basta se dizer diverso e plural, é preciso ter uma prática política coerente e responsável com a representação popular. ?Que essa decisão seja reconsiderada, para que o PSOL não caia na vala comum dos partidos brasileiros, que nunca quiseram que nossa gente acessasse os espaços de poder", disse.
Já Giannazi pediu que a direção do partido reconsidere a distribuição dos recursos. "O PSOL enfrentará, neste ano, não apenas os adversários políticos e a extrema direita, mas também o desafio da cláusula de barreira. Diante desse cenário, é fundamental ter responsabilidade, planejamento e capacidade tática", disse.
Não são apenas esses quatro que reclamam da distribuição do fundo eleitoral. Outros psolistas têm a mesma queixa, mas preferiram manter a discussão a nível interno.
Sob condição de reserva, psolistas disseram que o partido ainda está desorganizado a nível eleitoral em razão das divergências entre diferentes tendências políticas internas ou outras richas como a divisão entre o diretório do Rio de Janeiro e o de São Paulo, o que dificulta a capacidade de que o PSOL chegue a um consenso.
O maior temor desse grupo tem a ver com o cláusula de barreira. A cláusula de barreira é uma regra eleitoral brasileira que estabelece uma performance mínima de desempenho eleitoral nas eleições deste ano para assegurar que partidos possam ter acesso ao Fundo Partidário e ao tempo de propaganda no rádio e na televisão.
Não é a primeira lavação de roupa suja que o grupo de Erika leva a público. No final de fevereiro, um grupo comandado por Erika e o atual ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, veio a público defender a formação de uma federação com o PT para garantir que o partido sobreviva à cláusula de barreira.
Em artigo publicado no jornal Folha de S.Paulo no começo de março, o grupo de Boulos afirmou que, com o avanço do bolsonarismo, "não existe espaço para um projeto de simples demarcação ou para gastar nossas energias em disputas internas menores". O grupo de Boulos acabou derrotado.
Em 2022, em federação com a Rede Sustentabilidade, o partido elegeu 14 deputados e conquistou mais um parlamentar para a bancada após a reversão de um resultado eleitoral no Amapá. Hoje, a federação tem 11 deputados do PSOL e quatro da Rede.
Em 2026, para vencer essa cláusula, os partidos precisarão ter ao menos 2,5% dos votos válidos distribuídos em pelo menos nove Estados, com um valor mínimo de 1,5% em cada um desses Estados, ou eleger 13 deputados federais, distribuídos em pelo menos nove Estados.
(Com Agência Estado)
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