O vídeo foi gravado por Daiane. A gravação foi recuperada do celular da vítima, que ficou 41 dias em uma caixa de esgoto do prédio. O aparelho foi recuperado no dia 30 de janeiro durante uma perícia no local.
O Estadão tenta contato com a defesa do síndico. Os advogados de Maicon Douglas de Oliveira, filho de Cléber, que teve o envolvimento na morte de Daiane descartado, dizem que as provas demonstram que Maicon não participou do fato e que o arquivamento das suspeitas em relação ao seu cliente era esperado.
No vídeo divulgado pela polícia, Daiane aparece descendo o elevador do prédio para checar, no subsolo, se o disjuntor do apartamento 402 estava desligado, verificando uma queda de energia. "Cheguei na recepção. A Equatorial (empresa de abastecimento de energia) não veio cortar, claro, porque está pago. Agora, eu vou descer para ver se o disjuntor está desligado. Vou até o disjuntar do 402 e a gente vai filmar", diz a corretora nas imagens.
Ela confere alguns disjuntores e chega a dizer que o síndico estava no subsolo no momento da gravação. "Vamos ver se essa brincadeira está continuando. O síndico está aqui embaixo, isso eu sei", diz. Pouco depois de encontrar o quadro de energia do apartamento 402, ela vira para o lado e é surpreendida pelo síndico.
O delegado João Paulo Ferreira Mendes detalhou a dinâmica do crime e afirma que as imagens e informações colhidas na investigação mostram que o assassinato foi premeditado.
"No início já dá para ver que ele (o síndico) aguardava a Daiane no subsolo. Ele já estava com a luva nas mãos, o carro posicionado ao lado do almoxarifado", diz. "Tratou-se, de fato, de um homicídio premeditado, uma emboscada deliberada, no qual ele desligou o painel de energia para que ela descesse ao subsolo. Então, a incapacitou, retirou do local e a executou com dois disparos de arma de fogo", explica o delegado.
De acordo com o superintendente da Polícia Científica de Goiás, Ricardo Matos, o síndico usou uma pistola .380 semiautomática para executar Daiane. Uma das balas ficou alojada na cabeça e a outra saiu pelo olho esquerdo da vítima.
O síndico, que já estava preso, foi quem indicou à polícia o local em que o corpo foi encontrado. Cléber Rosa de Oliveira e seu filho, Maicon Douglas de Oliveira, foram presos em janeiro deste ano sob a suspeita de terem matado a mulher. À época, o advogado dos dois suspeitos disse aguardar acesso integral ao inquérito policial, à representação da autoridade policial e à decisão judicial para avaliar as próximas medidas.
Mais tarde, a polícia descartou o envolvimento de Maicon Douglas no crime. Em nota, os advogados Luiz Fernando Izidoro Monteiro e Silva e Daniel Gonçalves Santos Lima, que representam o filho do síndico, declaram que "o arquivamento das suspeitas, embora fosse a única resposta juridicamente aceitável e já esperada por esta defesa, impõe à sociedade uma reflexão inadiável: o Estado Democrático de Direito não tolera pré-julgamentos, tampouco execração pública promovida pelos 'tribunais da internet'".
"O princípio constitucional da presunção de inocência deve ser a regra, e não a exceção", defendem os advogados.
(Com Agência Estado)
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