Artigos Sábado, 29 de Maio de 2021, 09:00 - A | A

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FELIPE CORRÊA

VLT vs. BRT: Plebiscito guaxeba

FELIPE CORRÊA

Reprodução

FELIPE CORREA

 

Era uma vez um governador ladrão, que fez sua confissão pra escapar da prisão entregando os deputados que aliviavam a barra das suas maracutaias. Dentre esses deputados delatados, um chamava mais a atenção do que os demais nos vídeos pela veia humorística ao dizer “ê, Silvio”, e pela agilidade flexível com a qual descia até o chão para buscar os maços de dinheiro que, de tão fartos, não couberam no paletó. O nome dele? Emanuel Pinheiro, atual prefeito de Cuiabá.

Vulgo Nenel era o relator da Comissão de Acompanhamento das Obras da Copa na Assembleia na época em que recebia aquela propina – segundo o ex-governador X9. Portanto, duplamente responsável pela pilhagem que Cuiabá viveu, pois como deputado já tinha o papel de fiscalizar – além da competência específica como o relator das Obras da Copa. Conforme Silval, tamanha incompetência no cumprimento do dever foi paga por incontáveis paletós cheios como aquele.

Quase uma década depois, além de continuar mais soltinho que arroz de avó pela morosidade da Justiça, a chacota é que a maioria de seus pau-mandados na Câmara aprovou um plebiscito para o povo cuiabano votar se quer terminar a obra do VLT que ele, quando deputado, deixou de fiscalizar em troca de suposta propina maior que o bolso. Será um júri popular pra condenar ou não uma obra de engenharia, fora o custo milionário do plebiscito – meramente consultivo.

Sim: custará milhões e o voto popular não terá poder impositivo algum, até porque o dinheiro, a obra e a decisão final são estaduais. E por que a Assembleia, então, não propôs o plebiscito? Justamente: até Emanuelzinho deixou de lado os interesses do pai em Brasília pra participar da audiência pública na AL - mas não conseguiu convencer os deputados a aprovarem e partiram para o plano B: acionar os new e old guaxebas do Paletó na Câmara pra aprovar esse sufrágio inútil.

O que Emanuel quer com essa fogueira de dinheiro público, afinal? Treta e confusão. Com uma cajadada só, pirraça o governador e impede seu desafeto de encerrar a novela que se arrasta a dois governos – Pedro Taques, que tanto usou o VLT de palanque, não resolveu nada enquanto centenas de milhões foram desperdiçados na manutenção de um modal que não leva ninguém a lugar algum. Nesse contexto, não tomar decisão é como esquecer fatura do cartão na gaveta.

Essa capoeira toda não é pura birra do Nenel com Mauro Mendes. Como não pode se reeleger de novo, o prefeito já foi pro tudo ou nada e a briga é calculada pra construir uma narrativa de oposição e ser candidato ao Governo. Se não cavar pra cima em 2022, a outra opção do Paletó é esperar o mandato no Alencastro terminar e passar dois anos sem foro privilegiado até 2026 – mas haja network e parentela na Justiça e no MP pra segurar o rojão da sua coleção de B.O.

E sendo justo, nem todos os vereadores favoráveis ao plebiscito são vendidos – alguns são só inocentes, rasos ou pegam carona em qualquer cavalo populista que passe arriado, como este. O que não muda o fato de terem aprovado um baita desperdício ao erário, feito Cuiabá perder ainda mais tempo nessa indefinição e atestado que o chão de fábrica desse circo é puxadinho dos Pinheiros. E todos não, mas a maioria é vendida sim – quem vestir a carapuça que reclame.
 
(*) FELIPE CORRÊA é 2º suplente de vereador por Cuiabá pelo Cidadania.

Os artigos assinados são de responsabilidade dos autores e não refletem necessariamente a opinião do site de notícias www.hnt.com.br

 

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