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Artigos Sábado, 15 de Dezembro de 2018, 10:00 - A | A

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Sábado, 15 de Dezembro de 2018, 10h:00 - A | A

Tempos

Mas a noção de tempo ligada aos ciclos da natureza aos poucos foi sendo substituída por uma noção de tempo cada vez mais quantitativa, cuja máxima é: tempo é dinheiro.

PAULO WAGNER*

 

Arquivo Pessoal

Paulo Wagner

 Escritor Paulo Wagner

Foi observando a passagem dos dias e noites, o ir e vir das estações, o nascer, crescer e envelhecer dos homens, o florir e o frutificar cíclico das árvores que criamos uma noção natural de tempo, ligada principalmente a impermanência das coisas ao nosso redor. 

Mas a noção de tempo ligada aos ciclos da natureza aos poucos foi sendo substituída por uma noção de tempo cada vez mais quantitativa, cuja máxima é: tempo é dinheiro. Uma noção de tempo ligada a lógica capitalista de produção, uma lógica na qual o tempo dedicado ao lazer, as atividades triviais viraram perda de tempo.

Nessa visão meramente funcionalista "perder tempo" em uma conversa informal, em atividades meramente contemplativas e despretensiosas virou pecado, ou seja, o tempo para a vida verdadeira está cada vez mais escasso, pois precisamos de tempo para produzir cada vez mais se quisermos pagar o plano de saúde, o seguro do carro, a compra da última invenção da informática, a roupa da moda, o perfume da propaganda.

Mas quanto mais mergulhamos neste tempo quantitativo inventado pelo modo de vida da sociedade pós-moderna, menos tempo nos sobra para sentir a vida de um tempo sem tempo, de um tempo que escorre como uma fonte infinita e eternamente presente. Tempo de contemplar as estrelas, tempo de sentir intensamente o beijo da pessoa amada, tempo de nada fazer, de nenhum lugar aonde ir, tempo de existir sem culpa de "perder tempo". Tempo que nos torna senhores do nosso tempo, nos livrando da escravidão do tempo acelerado e devorador inventado pelos homens. Tempo de sentir o templo do coração.

(*) PAULO WAGNER é Escritor, Jornalista e Mestre em Estudos de Linguagem pela UFMT. E-mail: [email protected]

Os artigos assinados são de responsabilidade dos autores e não refletem necessariamente a opinião do site de notícias www.hnt.com.br

 

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