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Artigos Terça-feira, 06 de Janeiro de 2026, 10:05 - A | A

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Terça-feira, 06 de Janeiro de 2026, 10h:05 - A | A

VANESSA MARQUES

Prefeita inaugura “mata-burro” em clima de festa: quando a gestão vira espetáculo

VANESSA MARQUES

A decisão da prefeita de São Domingos, na Paraíba, Adeilza Soares, de inaugurar um mata-burro acompanhada por equipe de marketing, três vereadores aliados e cinco moradores gerou polêmica e repercussão nas redes sociais digitais.

O episódio chamou atenção não pela obra em si, mas pelo contraste entre a simplicidade da entrega e a encenação construída em torno dela. Esse tipo de situação tem se tornado cada vez mais comum e revela que alguns políticos estão confundindo visibilidade com presença digital, sem estratégia.

Obviamente, o problema não está no conteúdo específico, mas na comunicação do ato. A alta midiatização faz com que o ato de comunicar deixe de ser apenas informação e passe a ser um instrumento central de construção de poder, imagem e autoridade. O risco surge quando a comunicação é tratada como fim em si mesma, dissociada de critérios de relevância pública e de leitura do ambiente político.

A lógica da visibilidade opera de forma sedutora. No curto prazo, transformar qualquer entrega em evento parece positivo. Gera conteúdo, alimenta algoritmos, mantém o nome em circulação e produz a sensação de presença permanente. A política passa a funcionar sob a lógica da campanha permanente, conceito formulado por Sidney Blumenthal, no qual governar e comunicar se confundem de maneira contínua. O cotidiano administrativo é convertido em narrativa e o gesto simples ganha roupagem simbólica ampliada.

O problema é que essa lógica acumula riscos ao longo do tempo. A repetição de eventos superdimensionados produz uma inflação simbólica da comunicação. Tudo vira marco, tudo vira anúncio, tudo vira celebração. Quando isso ocorre, o público passa a relativizar o discurso oficial, a ironizar a encenação e a questionar prioridades. A visibilidade, que parecia ativo, começa a operar como desgaste.

As plataformas digitais intensificam esse processo. Algoritmos recompensam frequência, estética e personalização, mas não avaliam coerência estratégica nem densidade política. A comunicação passa a responder mais às métricas do que ao contexto social. O resultado é um descompasso entre o esforço comunicacional e a expectativa do cidadão, especialmente em níveis locais de governo, onde a proximidade amplia a vigilância e a crítica.

prefeita inaugura mata-burro

 Inauguração de mata-burro na Paraíba.

Do ponto de vista eleitoral, os efeitos são concretos. Decisões de comunicação moldam reputações, constroem percepções de competência ou superficialidade e influenciam a capacidade de sustentar narrativas no médio prazo. A exposição excessiva de gestos pouco relevantes compromete a credibilidade quando temas estruturais exigem autoridade, seriedade e confiança. Comunicação mal calibrada não apenas desgasta a imagem, como fragiliza a própria capacidade de governar.

O caso da inauguração festiva de uma obra simples não deve ser tratado como curiosidade ou exagero pontual. Ele é sintoma de uma cultura política que confunde visibilidade com estratégia e presença digital com construção de sentido. Em contextos eleitorais e pré-eleitorais, comunicar exige diagnóstico, método e leitura fina do ambiente. Decisões intuitivas ou orientadas apenas pelo imediatismo do engajamento tendem a cobrar um preço alto mais adiante. Comunicação política não é improviso. É escolha estratégica, com consequências reais. Como sempre digo comunicação política não é pra amador!

(*) VANESSA MARQUES é Jornalista, professora e palestrante. Mestre em Comunicação pela Universidade de Valência (Espanha) e pós-graduada em Economia e Ciência Política. Atua há 20 anos na comunicação política, sendo 13 anos na Câmara dos Deputados.

Os artigos assinados são de responsabilidade dos autores e não refletem necessariamente a opinião do site de notícias www.hnt.com.br

 

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