Artigos Sexta-feira, 30 de Dezembro de 2011, 08:26 - A | A

Sexta-feira, 30 de Dezembro de 2011, 08h:26 - A | A

Policiamento

Outras secretarias de Estado não possuem a estrutura militar da ex-Agecopa. Fica a pergunta: se o secretário fosse outro, haveria necessidade de se retirar tantos militares treinados para o combate ao crime para proteger o prestigiado auxiliar do governo

GABRIEL NOVIS NEVES

 

Steffano Scarabottolo

 

Recentemente, diante da violência que tomou conta do nosso Estado, das reclamações da população ordeira e trabalhadora e da cobrança de grande parte da imprensa, o governo resolveu nomear cerca de oitocentos policiais militares concursados.

Nossas necessidades mínimas são de, pelo menos, dez mil homens. Com o aproveitamento desses tintinho de policiais, o acréscimo no efetivo das ruas para combater os criminosos, seria de menos de seis representantes da lei por município mato- grossense.

A situação continua a mesma, e acho que até piorou com o aparecimento de grupos especializados em arrombamentos diários de Caixas Eletrônicos.

Para a minha surpresa, o jornal A Gazeta, de 19/12/2011, estampa como manchete: “Mais de 750 policiais estão fora de combate.” Prestam serviços em órgãos como o Tribunal de Justiça, Casa Militar e Secopa, desfalcando, com esse desvio ocupacional, cerca de 10% do trabalho de investigação e repressão ao crime.

Para se ter uma ideia do que representa esse contingente afastado, ele seria capaz de policiar uma cidade do porte de Rondonópolis - segundo informações oficiais.

Em alguns municípios, onde são frequentes crimes violentos, não há delegado de polícia, e a segurança é feita por três soldados e um detetive.

Segundo estatísticas divulgadas, o nosso Estado tem cerca de 6 mil policiais. Nosso vizinho Estado de Goiás, apenas 16 mil. É dever constitucional do Estado prestar segurança à sua população, membros dos poderes Legislativos, Judiciários e Tribunal de Contas.

O que mais chamou atenção na matéria jornalística foi a inclusão do aparato militar na Secopa (Secretaria Extraordinária de Projetos para a Copa).

Outras secretarias de Estado não possuem a estrutura militar da ex-Agecopa. Fica a pergunta: se o secretário fosse outro, haveria necessidade de se retirar tantos militares treinados para o combate ao crime para proteger o mais prestigiado auxiliar do governo?

Não acredito que o nosso bem articulado secretário esteja sendo ameaçado por desportistas. Ele deverá ter as suas razões para solicitar, e ser atendido, nessa proteção diferenciada.

Sendo um arquivo lúcido da história recente de Mato Grosso nos cargos que ocupou - e que agora estouram escândalos -, respeitemos a sua decisão, mesmo sabendo que centenas de crimes poderiam ser evitados sem esse aquartelamento na Secopa, segundo informações e constatações da população cuiabana.

Que tudo termine bem! - são os meus melhores votos.

Mas, que é estranho é.

(*) GABRIEL NOVIS NEVES é médico, professor fundador da UFMT e colaborador de HiperNoticias. E-mail: borbon@terra.com.br

Os artigos assinados são de responsabilidade dos autores e não refletem necessariamente a opinião do site de notícias www.hnt.com.br

 

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