Artigos Domingo, 20 de Novembro de 2011, 00:01 - A | A

Domingo, 20 de Novembro de 2011, 00h:01 - A | A

O que deixamos de saber

É rara a semana em que o governo e entidades classistas do setor não recebem a visita de executivos de médias e grandes empresas, inclusive de conglomerados gigantescos e com interesses em diversas áreas, e pouca coisa sai a respeito sai na imprensa

MÁRIO MARQUES

DIVULGAÇÃO

É fato que notícia ruim rende manchetes e as boas, dificilmente, ganham destaque na mídia. Por esse viés, e inclusive para atender o interesse da grande maioria de seus leitores, ouvintes, telespectadores e, mais recentemente, internautas, que estão mais focados nas informações sobre outros temas, como escândalos políticos e criminalidade, os múltiplos meios de comunicação existentes por aqui não priorizam a economia como fonte de notícias.

Por sinal - e aqui abro um parêntese -, trata-se de editoria que, exceto a atenção que recebe no eixo São Paulo-Rio-Minas, os três Estados mais ricos e desenvolvidos do país, é pouco priorizada pelo restante da Imprensa brasileira. Considero a ressalva necessária para não deixar margem a que a imprensa local, e da qual tenho orgulho de fazer parte, possa ser vista como a única omissa nesse aspecto. Muito embora a justificativa não sirva de desculpa para que continue seguindo essa tendência majoritária no jornalismo.

Mato Grosso, por exemplo, vem sendo alvo do interesse de investidores de todos os continentes e raramente se lê ou ouve falar sobre isso, sendo escassas as notícias a respeito. E quando se toca nesse assunto é de forma genérica, tipo “campeão na produção disso ou daquilo”, sem entrar em detalhes mais esclarecedores. Escarafunchando nas minúcias, indo em busca de informações ditas de “cocheiras”, ou seja daquelas garimpadas na sua essência e origem.

É rara a semana em que o governo de Mato Grosso e entidades classistas do setor não recebem a visita de executivos de médias e grandes empresas, inclusive de conglomerados gigantescos e com interesses em diversas áreas, e pouquíssima coisa sai a respeito na Imprensa.

Alguém se lembra de alguma reportagem esmiuçando qual o interesse, áreas e regiões mato-grossenses que estão sendo alvo nessas prospecções de investimentos?! Inclusive de capitais, dólares e euros que estão afoitos para migrar de uma Europa em crise e de nações de outros hemisférios, que também não vão “bem das pernas” e nas quais investir se tornou arriscado.

Sem contar que, embora desenvolvidas, são economias que oferecem baixo retorno em termos de lucratividade para o investimento aplicado. O que tem levado a que investidores – no que protagonizam um fenômeno recente na economia globalizada - busquem nichos mais atrativos em outras poucas paragens do planeta, entre as quais se destaca na liderança do pelotão de frente o Brasil - a “bola da vez”. E a “bola da vez” do Brasil, sem nenhum bairrismo provinciano, é Mato Grosso!

Considerando a romaria de empresários de fora que demandam para cá, interessados em prospectar oportunidades, parece até que existe um pacto de silêncio entre esses ilustres e bem-vindos visitantes e os órgãos que deveriam cobrir o assunto, mostrando a “cara” dessa gente! Quando, na verdade, não há nada de conluio para mantê-los no anonimato - apenas a falta de foco mais específico da imprensa regional sobre as atividades econômicas.

É certo, também, que contribui para essa penumbra o modo de ser e agir de grandes empresários, que prezam a discrição em suas investidas e sondagens. Porém essa forma de atuar no mundo dos grandes negócios e investimentos, nem por isso deve impedir que jornais e jornalistas não se empenhem mais a fundo para cobrir o que se passa nesse universo à parte do dia a dia da quase totalidade dos mortais comuns.

Esse alheamento aos fatos gerados nessa órbita chega ao ponto que o enorme potencial econômico de nosso Estado seja mais conhecido de fora para dentro (e as caravanas empresariais que por aqui aportam, provam isso) do que pela maioria da sua população.

O que não deixa de ser uma distorção na oferta de informações, necessitando de correções.

(*) MÁRIO MARQUES DE ALMEIDA é jornalista. www.paginaunica.com.br. E-mail: mario@paginaunica.com.br

Os artigos assinados são de responsabilidade dos autores e não refletem necessariamente a opinião do site de notícias www.hnt.com.br

 

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