Artigos Terça-feira, 24 de Maio de 2011, 17:48 - A | A

Terça-feira, 24 de Maio de 2011, 17h:48 - A | A

O pior dos crimes

O desvio de recurso público é uns dos piores crimes, pois o alvo atingido é a coletividade, e fica aqui a pergunta, qual seria a pena a ser aplicada: pena de morte, prisão perpétura, sequestro de bens ou serviço comunitário?

WILSON CARLOS FUÁ

 

Divulgação
O maior erro que um cidadão pode cometer é votar errado. Muitos sabem lamentar, mas não sabem votar. Os erros eleitorais vão se avolumando, muitos são enganados pelas promessas e depois de receber a procuração dos eleitores, alguns políticos eleitos aplicam as desculpas e empregam as saídas clássicas: infelizmente nada podemos fazer, eu não imaginava que a situação estava nesse nível de desorganização e abandono.

É sempre muito fácil e cômodo enganar os eleitores, acreditando que a esperteza triunfará sempre. Não sabe a grande decepção e desapontamento que estão causando a toda a população, nós é quem somos responsáveis pelo nosso progresso ou falta dele. Alguns políticos não entendem o que pensam e sentem os cidadãos de bem, são eles que levam a vida enfrentando as dificuldades de toda as espécies. Para o cidadão só existe um caminho para evolui na vida, é pelo trabalho, pois somente através do trabalho que ele caminha para frente, o dinheiro que lhe da sustentação na vida vem da sua labuta diária, mesmo tendo que trabalhar desde criança, ou mesmo passando necessidades a vida toda, ele acredita que só trabalhando de forma justa e honesta é que justificaria a sua existência.

É fácil se deixar levar pelas promessas que são jogadas na cara dos trabalhadores, mas cabe a eles escolher o caminho certo, e depois saber que foi enganado, e levar a vida honestamente num mundo onde tudo parece ser talhado para os espertos.

O pior crime que se comete neste país é o desvio de verbas públicas. Qual seria a pena a ser aplicada?

Conta-se uma lenda que aqui em Cuiabá no período colonial, o julgamento era feito pelos proprietários das fazendas ou pelo capataz de forma sumária, com aplicação de penas optativas, sempre dando três escolhas para os ladrões, que seguia o princípio de você comer aquilo que estava roubando, ou levar uma surra ou pagar em moeda de prata (recebidas através do trabalho).

Conta uma lenda desta região da larva do Sutil que um ladrão que trabalhava em uma fazenda, foi descoberto roubando dez cabeças de alho. Antes de conseguir fugir, foi preso pelo dono do lugar, que colocou as três opções como forma de julgamento: pagar dez moedas de prata; receber dez chibatadas ou comer as dez cabeças de alho.

O ladrão resolveu comer as dez cabeças de alho. Quando chegou na quinta cabeça de alho, o estômago queimava como o fogo do inferno. Como ainda faltavam cinco cabeças para serem comidas, e viu que não agüentaria o castigo, ele pediu para receber as dez chibatadas.

O fazendeiro concordou.

E ordenou que fossem dadas as 10 chibatadas no lombo do ladrão. Quando o capataz desferiu a quinta chibatada nas costas do ladrão , ele implorou para que parassem de castigá-lo, porque não suportava a dor. O pedido foi obedecido, mas o ladrão teve que pagar com as dez moedas de prata.

Não deveria existe barganha de pecados, escolha de pena ou pena alternativa para crimes cometidos por roubo ao erário público.

Um ladrão que rouba com mãos armadas, rouba um patrimônio individual, e o ladrão do erário público, tem as mãos armadas com uma caneta e pratica um roubo coletivo, pois rouba do povo, milhares de pessoas são roubadas a cada ação ilegal praticada dentro de um órgão público. Portanto a pena, deveria ser a somatória de todas as penas. Esse desvio de recurso público, não é um crime comum, esse roubo estará prejudicando milhares de pessoas carentes por saúde, por escola, por transporte, por moradia, é um roubo que prejudica população como um todo. Deveria ser considerado como crime hediondo, deveria receber a pena máxima e a perda total do patrimônio até o valor equivalente ao valor desviado dos cofres públicos.

A pena mais cruel que se pode aplicar ao ladrão, é o seqüestro de todos os seus bens, tanto os ladrões de ontem como os de hoje, prefere o castigo da dor física, do que devolver os bens materiais que roubaram.

O desvio de recurso público, é uns dos piores crimes, pois o alvo atingido é a coletividade, e fica aqui a pergunta, qual seria a pena a ser aplicada?

1 – Pena de morte?
2 – Prisão Perpétua?
3 – Seqüestros dos Bens?
4 – Ou receber penas alternativas ou o benefício da progressividade, para poder gastar o dinheiro público roubado?

O desvio de recursos públicos, é o pior crime que se comete neste país, é tirar de quem não tem, retirando oportunidade única do cidadão que tem a rede pública como o último e único caminho que lhe resta, mesmo que seja para sofrer deitado em macas nos corredores sujos e infectados dos Prontos Socorros, mesmo que seja para ficar com uma perna quebrada e ter que esperar meses para receber um tratamento ou quem sabe um dia receber uma cirurgia. Pior do que a dor física é saber que está ali deitado no chão, transformado em resto de um cidadão, sem dignidade e desrespeitado por aqueles agentes públicos que na verdade são empregados do povo. Um cidadão sem saúde tem duas dores: dor física e a dor do sentimento de impotência para protestar ou mandar prender aqueles que estão roubando as verbas públicas, essa é a pior dor, pois é a dor da indignação.

(*) WILSON CARLOS FUÁ é economista, especialista em Administração Financeira e Recursos Humanos e colaborador de Hipernoticias. E-mail: fuacba@hotmail.com

Os artigos assinados são de responsabilidade dos autores e não refletem necessariamente a opinião do site de notícias www.hnt.com.br

 

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