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Artigos Quinta-feira, 29 de Janeiro de 2026, 10:09 - A | A

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Quinta-feira, 29 de Janeiro de 2026, 10h:09 - A | A

ALINE MONÇALE

Janeiro Roxo: Informação e Esperança na Luta contra a Hanseníase

ALINE MONÇALE

A hanseníase ainda carrega um peso histórico de medo, preconceito e desinformação. No entanto, estamos falando de uma doença antiga, conhecida, tratável e curável, desde que diagnosticada precocemente. É por isso que o Janeiro Roxo existe: para iluminar com informação aquilo que, por muito tempo, foi cercado por silêncio e reacender a esperança na vida de tantas pessoas que, ainda hoje, convivem com essa doença .

Hanseníase: uma realidade que persiste

A hanseníase é uma doença infecciosa causada pela bactéria Mycobacterium leprae. Ela atinge principalmente a pele e os nervos periféricos, podendo levar a lesões e perda de sensibilidade, mudanças que muitas vezes passam despercebidas no início.  O Brasil continua entre os países com maior número de casos no mundo. Em 2024, mais de 22 mil novos casos foram notificados no país, tornando-o o segundo colocado global em número absoluto de diagnósticos, ficando atrás apenas da Índia.  E mais: cerca de 958 desses casos ocorreram em crianças menores de 15 anos, um sinal claro de que a transmissão ainda acontece entre famílias e comunidades.  

Esses números são mais do que estatística: são vidas, sonhos interrompidos e famílias que precisam de atenção, cuidado e respeito.

Sintomas que merecem nossa atenção

A hanseníase pode ser silenciosa no início, mas frequentemente se apresenta com sinais que não podem ser ignorados:

• Manchas na pele com sensibilidade reduzida

• Formigamento ou dormência em mãos e pés

• Fraqueza muscular e perda de força

• Inchaço ou espessamento de nervos

Reconhecer esses sinais precocemente pode fazer toda a diferença entre um tratamento eficaz evitando sequelas permanentes.

Preconceito ainda dói mais que a doença

O medo do estigma envolto na história bíblica da lepra e dos isolamentos nos extintos leprosários, muitas vezes faz com que pessoas escondam os sintomas ou adiem a busca por atendimento. Histórias de abandono, medo de rejeição e isolamento ainda ecoam em famílias que carregam o impacto dessa doença — mesmo quando ela já é curável e o paciente não representa risco de transmissão após o início do tratamento.

Tratamento e cura

A boa notícia é que a hanseníase tem tratamento eficaz e gratuito pelo SUS, com medicações que eliminam o agente causador e impedem a transmissão. Quanto mais cedo for iniciado o tratamento, menores são as chances de complicações e sequelas permanentes.

O que os números nos dizem

Ao olhar os números, vemos um país que avança, mas ainda enfrenta desafios. A detecção de novos casos tem flutuado ao longo dos anos, com taxas mais elevadas em algumas regiões e entre populações vulneráveis. Em 2023, a taxa de detecção no Brasil foi de cerca de 10,6 casos por 100 mil habitantes, um índice que ainda classifica a hanseníase como um problema de saúde pública prioritário.  

Informar para transformar

O Janeiro Roxo é um convite para que cada um de nós pare, escute e entenda que:

• Diagnosticar precocemente liberta vidas.

• Tratar com dignidade cura corpos e mentes.

• Compartilhar conhecimento derruba mitos e alimenta esperança.

Se você vê uma mancha nova na sua pele ou em alguém próximo de você, que muitas vezes não dói, não coça e não desaparece, não espere — procure um profissional de saúde.

O simples gesto de olhar para o seu corpo com carinho pode salvar você ou alguém que você ama.A hanseníase pode ser vencida. A cura começa com a informação e essa é uma luta que precisamos travar juntos, nesse mês especial e durante todo o ano.

O Janeiro Roxo é mais do que uma campanha, é um lembrete de que informação cura, acolhimento salva e o olhar atento da sociedade transforma vidas.

(*) ALINE MONÇALE é Médica Dermatologista da Sociedade Brasileira de Dermatologia.

Os artigos assinados são de responsabilidade dos autores e não refletem necessariamente a opinião do site de notícias www.hnt.com.br

 

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