A recuperação do alcoolismo em A. A. é uma realidade concreta na vida de milhares de pessoas que, um dia, estiveram no fundo do poço e acreditaram não haver saída. Desde sua fundação, em 1935, por Bill W. e Dr. Bob, Alcoólicos Anônimos tem oferecido um caminho espiritual e prático para quem deseja parar de beber e aprender a viver sem álcool, um dia de cada vez.
A vida de qualquer alcoólico é marcada por altos e baixos. Há momentos de alegria intensa, conquistas profissionais, reconciliações familiares. Mas também existem ocasiões de perdas, frustrações, culpas e tragédias. O problema nunca foi apenas a existência desses extremos — comuns a todo ser humano —, mas a forma como o alcoólico reagia a eles.Durante muito tempo, alguns goles pareciam ser a solução mágica. Diante da dor, a bebida anestesiava. Diante do êxtase, ela ampliava artificialmente a euforia. Em ambos os casos, o resultado era o mesmo: mais problemas “sem solução”, mais sofrimento, mais descontrole e um ciclo difícil de se romper.
A recuperação começa com uma decisão profunda: não mais recorrer ao álcool para enfrentar os problemas da vida. Essa escolha, renovada diariamente, representa um divisor de águas. Em A. A., aprende-se que é possível atravessar tanto o êxtase quanto a tragédia com sobriedade e equilíbrio, sem necessidade de se recorrer ao álcool “milagroso”.
Nos momentos de grande alegria, o alcoólico em recuperação é incentivado a manter os pés no chão, praticando gratidão e humildade. Afinal, a euforia desmedida pode ser tão perigosa quanto a tristeza profunda. Já nos períodos difíceis, ele encontra nas reuniões apoio, escuta e identificação. Ao compartilhar sua dor, descobre que não está sozinho, que pode compartilhar seus problemas com quem o entende.
Outro instrumento fundamental nesse processo é o padrinho. Buscar um padrinho significa aceitar orientação de alguém que já percorreu o mesmo caminho. Em situações de crise emocional — seja por uma perda dolorosa, seja por uma conquista extraordinária — o padrinho ajuda a colocar as emoções em perspectiva e a evitar decisões impulsivas.
O padrinho também reforça princípios como responsabilidade, honestidade e vigilância constante. Ele lembra que a sobriedade é construída “um dia de cada vez” e que nenhum sentimento, por mais intenso que seja, justifica o retorno ao primeiro gole. Ele também conta que sua própria sobriedade foi surgindo aos poucos, com a prática do programa e o respeito a princípios básicos para quem quer viver bem sem recorrer ao álcool.
Assim, a recuperação em A. A. consiste não apenas em parar de beber, mas em aprender uma nova maneira de viver. Trata-se de desenvolver maturidade emocional para lidar com as oscilações naturais da existência. Ao abandonar a ilusão de que a bebida resolve problemas, o alcoólico descobre recursos internos e apoio coletivo suficientes para enfrentar a vida como ela é — com serenidade, coragem e esperança.
(*) CAMILO VALENZUELA é nome fictício em respeito à tradição do Anonimato.
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