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Artigos Sexta-feira, 16 de Outubro de 2026, 07:25 - A | A

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Sexta-feira, 16 de Outubro de 2026, 07h:25 - A | A

NEILA BARRETO

As riquezas do centro histórico, em Cuiabá

NEILA BARRETO

Reprodução

NEILA BARRETO

Entre essas riquezas se encontra a residência oficial que pertenceu ao senhor João Baptista Corrêa da Costa, cuiabano, descendente da família Corrêa da Costa, localizada na rua governador Rondon n° 53, antigo “Canto do Sebo”, próxima à Praça da Mandioca, no centro histórico de Cuiabá. Foi nesse “Canto” que, em 1727, em primeiro de janeiro Dom Rodrigo Cezar de Menezes elevou o arraial à categoria de Vila Real do Senhor Bom Jesus de Cuiabá e fez erigir o pelourinho, bem como, em 1790 foi encenada uma tragédia de Voltaire e cantada uma Ópera.

Conforme Amilton Martins da Silva em “Um Olhar sobre suas Casas e Casarões Antigos”, o casarão é um exemplar típico da arquitetura colonial cuiabana, trazendo as soluções construtivas e estéticas usadas nos séculos XVIII e XIX para lidar com o isolamento geográfico e o forte calor da região, onde suas paredes espessas foram erguidas utilizando técnicas vernáculas como a taipa de pilão ou o adobe (tijolos de terra crua, água e palha secados ao sol), assentados sobre alicerces de pedra canga. Essa composição garante uma excelente inércia térmica, mantendo o interior fresco.

A fachada alinhada seguiu o padrão urbanístico das vilas coloniais portuguesas, onde a fachada da casa é colada diretamente no alinhamento da calçada, sem recuo frontal, compartilhando paredes meias com os lotes vizinhos. Possui portas e janelas altas em madeira de lei, com vergas retas ou suavemente arqueadas. As folhas externas onde costumam ser cegas (para privacidade e segurança), enquanto as internas contavam originalmente com treliças ou caixilhos para controlar a entrada de luz e vento. O quintal foi organizado em fluxo linear que conduz aos fundos da propriedade, onde tradicionalmente existiam quintais arborizados e áreas de serviço distantes da rua. Atualmente, o interior foi adaptado de forma a preservar o piso original e as paredes expostas, conforme dados arquivados no IPHAN - Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional e do município de Cuiabá.

Entre seus principais elementos arquitetônicos destacam-se a cobertura em telhas cerâmicas com telhado de múltiplas águas, os beirais largos, a varanda frontal integrada à fachada, o alpendre sustentado por pilares, as janelas altas com gradis, o recuo em relação à rua e o muro com balaústres de alvenaria, características típicas das residências de padrão médio e elevado construídas na primeira metade do século XX. O conjunto arquitetônico evidencia a busca por conforto térmico, ventilação natural e elegância, marcas do estilo bangalô, conforme dados publicados na página “Cuiabá de Antigamente”.

João Baptista Corrêa da Costa foi diretor da Penitenciária das Palmeiras, localizada na Serra de São Vicente, na capital. Foi casado com a senhora Ana Dorileo Corrêa, e pai de Liane Corrêa Pimenta, casada com Pedro Paulo Pimenta. Eles foram os últimos moradores da residência.

Conforme Francisco Rocha, na década de 1970, também viveu no local o Major Raul Ribeiro Teixeira, herói da Segunda Guerra Mundial, juntamente com sua família, fato que reforça a importância histórica do imóvel. Liane Corrêa Pimenta e Pedro Paulo Pimenta foram os últimos moradores da residência. Após deixarem a residência, o casarão passou a abrigar atividades comerciais, tendo como último locatário o Chapeleiro Café e Sebo, espaço que se tornou referência cultural em Cuiabá. Mais do que uma antiga moradia, este casarão representa um importante testemunho da arquitetura residencial cuiabana da primeira metade do século XX e da trajetória de personagens que contribuíram para a história de Mato Grosso. Sua preservação é fundamental para manter viva a memória urbana e o patrimônio arquitetônico da capital.

Mais recentemente o casarão abrigou os trabalhos políticos realizados pelo professor Allan Kardec Acosta Benitiz, na última eleição para deputado estadual.

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