A cada ano, a lista 'Habilidades em Alta', divulgada pelo LinkedIn (maior rede social profissional do mundo, focada em conexões, networking e oportunidades de emprego), oferece um retrato preciso das transformações no mundo do trabalho. Mais do que tendências, o levantamento aponta competências que já são demandadas em ritmo acelerado pelas empresas e que, em muitos casos, ainda não encontram oferta suficiente de profissionais qualificados.
A edição mais recente, referente a 2026, confirma um movimento que se consolidou nos últimos anos: a inteligência artificial deixou de ser uma fronteira tecnológica restrita a especialistas e passou a ocupar o centro das estratégias empresariais.
Competências como uso de ferramentas de IA generativa, compreensão de grandes modelos de linguagem, análise de dados para tomada de decisão e integração de sistemas inteligentes aparecem entre as que mais crescem no país. Trata-se de uma mudança estrutural. A tecnologia deixa de ser suporte e passa a ser parte do núcleo das operações.
Esse movimento não ocorre por acaso. Pressionadas por eficiência, necessidade de escala e escassez de talentos qualificados, empresas de diferentes setores têm incorporado sistemas inteligentes às suas rotinas. Automatizar processos, sofisticar análises e acelerar decisões já não são apenas vantagens competitivas, são condições para operar em mercados cada vez mais dinâmicos.
No entanto, a transformação não é apenas tecnológica. O mesmo levantamento evidencia que habilidades relacionadas à comunicação, ao storytelling estratégico e à gestão de stakeholders ganham protagonismo. Em um ambiente marcado por excesso de informação, complexidade e escrutínio constante, saber traduzir decisões técnicas em mensagens claras e consistentes tornou-se competência essencial.
Não basta dominar a tecnologia. É preciso saber comunicar estratégia, engajar equipes e construir confiança.
Outro ponto de destaque é a crescente demanda por competências em gestão de projetos e operações. A multiplicidade de iniciativas digitais exige capacidade de priorizar recursos, estruturar governança e garantir execução eficiente. Habilidades como definição de indicadores, liderança de equipes técnicas e implantação de modelos de gestão tornaram-se fundamentais para conectar estratégia e resultado.
Ao mesmo tempo, o avanço da digitalização amplia a relevância da segurança da informação e da conformidade técnica. A proteção de dados, a resposta a incidentes e o cumprimento de normas regulatórias deixam de ser temas restritos à área de tecnologia e passam a integrar a agenda estratégica das organizações.
O que esses movimentos têm em comum é claro: o futuro do trabalho está sendo redesenhado por uma combinação de tecnologia, gestão e competências humanas.
Para estados como Mato Grosso, que vivem um momento de expansão econômica e diversificação do setor de comércio, serviços e turismo, esse cenário representa tanto desafio quanto oportunidade.
O desafio está na velocidade da transformação. A lacuna entre as competências demandadas pelo mercado e a qualificação disponível tende a se ampliar caso não haja investimento estruturado em formação profissional.
A oportunidade está justamente na possibilidade de antecipar esse movimento.
A educação profissional desempenha papel decisivo nesse contexto. Não apenas ao formar mão de obra, mas ao alinhar competências às necessidades reais do setor produtivo. Preparar profissionais para utilizar inteligência artificial de forma aplicada, interpretar dados, liderar projetos e atuar em ambientes digitais complexos é condição para sustentar competitividade no médio e longo prazo.
Mais do que ensinar ferramentas, trata-se de desenvolver capacidade de adaptação. As tecnologias continuarão evoluindo. As competências essenciais serão aquelas que permitem aprender continuamente, integrar conhecimentos e tomar decisões em cenários de incerteza.
A lista do LinkedIn não aponta apenas o que está em alta. Ela sinaliza, de forma objetiva, onde estão os investimentos mais relevantes para empresas, profissionais e instituições de ensino.
Ignorar esses sinais significa correr o risco de perder competitividade. Compreendê-los e agir a partir deles é o caminho para construir um desenvolvimento econômico mais sustentável, inovador e alinhado às transformações globais.
O futuro do trabalho não é uma projeção distante. Ele já está em curso e será liderado por quem estiver preparado para aprender, se adaptar e executar com estratégia.
(*) EDSON DAHMER é Diretor regional do Senac em Mato Grosso. Atua na articulação entre educação profissional, desenvolvimento econômico e inovação para o setor do comércio de bens, serviços e turismo.
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