Artigos Sábado, 02 de Abril de 2011, 10:41 - A | A

Sábado, 02 de Abril de 2011, 10h:41 - A | A

ARTIGO

Agora quer "carinho"

André Pucinelli quer passar de “ovelha negra” do PMDB à vítima de discriminação da presidente Dilma Roussef

MARIO MARQUES DE ALMEIDA
mario@paginaunica.com.br

O governador do Mato Grosso do Sul, André Puccinelli (PMDB), anda se lamuriando com a cúpula nacional do seu partido que não consegue ser recebido em audiência pela presidente Dilma Roussef, que se elegeu, aliás, contando com apoio do PMDB (menos de Puccinelli, o único governador da legenda que abriu dissidência e apoiou abertamente o tucano José Serra).

Irônico, o governador do Mato Grosso do Sul, que persegue rancorosamente seus adversários políticos naquele Estado, chama a presidente de sua “fada madrinha”. Numa demonstração explícita de intimidade, que ele não tem, com a chefe da Nação. Chega a ser grotesco e mal educado!

Sua atitude não é condizente para quem tem, a exemplo dele, a responsabilidade de governar um Estado importante como é o Mato Grosso do Sul e cuja população, lamentavelmente, acaba sendo penalizada pela arrogância política e falta de habilidade do seu governador para tentar estabelecer um relacionamento com a presidente da República, senão próximo, ao menos civilizado, respeitoso e institucional.

Com esse comportamento inadequado, o governador ainda quer ser recebido com prioridade pela presidente, que ele tanto criticou na campanha eleitoral. Quiçá, esperando que seja agora distinguido com tapete vermelho e banda de música na entrada do Palácio do Planalto.

Puccinelli precisa ter mais humildade, tratar a presidente com o respeito que ela merece, e aguardar quietinho o seu lugar na fila dos governadores à espera de audiência com Dilma Roussef.

Além dele, para serem recebidos existem aqueles outros governadores que, independentemente de terem ou não apoiado a então candidata e hoje presidente da República, governam unidades federativas tão ou mais necessitadas que o Mato Grosso do Sul de atenção e apoio do governo federal.

André Puccinelli não tem do que reclamar. Ele apostou todas suas fichas na candidatura de José Serra. Foi alertado várias vezes pelas lideranças do seu partido para o equívoco político que estava cometendo e convidado a se reintegrar nos esforços da legenda para eleger Dilma presidente. Considerando, particularmente para os peemedebistas, o fato relevante de que o partido indicara Michel Temer vice-presidente na chapa encabeçada pela petista Dilma Roussef.

Levado por picuinhas politiqueiras regionais, dada à sua divergência com o PT local, André Puccinelli, em que pese os esforços da direção nacional do PMDB em demovê-lo de prosseguir na contramão dos interesses do seu próprio partido, não teve a grandeza de superar as brigas partidárias provincianas, e manteve uma postura equivocada de “rebelde” na legenda a qual está filiado e pela qual se elegeu e reelegeu-se governador.

Talvez, na tentativa de forjar uma imagem – de resto, egoísta e isolada do conjunto partidário - de coerência política. Quando coerente seria ele apoiar a decisão do seu partido, aprovada em convenção por maioria esmagadora de seus membros, que definiu pela coligação com o PT na chapa majoritária que disputou e venceu a eleição presidencial.

Para ele, portanto, já está de bom tamanho não ter sido expulso do PMDB por crime de infidelidade partidária. Conforme caberia, se esse ato de traição ao próprio partido fosse levado ao pé da letra e de acordo com o que reza seus estatutos e programa.

O PMDB respeitou a posição de Puccinelli e foi complacente, não tomando nenhuma medida de represália contra ele. Sequer uma nota de advertência.

Agora, o governador do Mato Grosso do Sul precisa respeitar o PMDB, não constrangendo seus dirigentes nacionais a forçar a presidente da República a tratá-lo como filho pródigo.

(*) MARIO MARQUES DE ALMEIDA é jornalista. www.paginaunica.com.br. E-mail: mario@paginaunica.com.br

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