Artigos Segunda-feira, 17 de Outubro de 2011, 10:30 - A | A

Segunda-feira, 17 de Outubro de 2011, 10h:30 - A | A

Adeus minha professora

Desde ontem (16) o tempo ficou meio embruscado, como dizem os bugres desta fronteira. Assim que bencedeou (amanheceu o dia o termo bencedeou é proposital ou talvez pelo grau de analfabetismo deste repórter ), o domingo tava meio esquisito, algo estranho

JOÃO ARRUDA

Desde ontem (16) o tempo ficou meio embruscado, como dizem os bugres desta fronteira. Assim que bencedeou (amanheceu o dia o termo bencedeou é proposital ou talvez pelo grau de analfabetismo deste repórter ), o domingo tava meio esquisito, algo estranho pairava em Cáceres.

Lá pelas oito no horário novo, o celular tremia, eis que na linha Adão Thadeu Ribeiro. Epa, não é de costume Sapinho ficar ligando pra mim em dias de domingos e feriados. Ele, assim como boa parte de Cáceres, tem conhecimento que a visita a Praia da Carne Seca é quase uma religião. Estranhei mas não sonhava nem de longe qual seria a notÍcia a ser dada pelo mais famoso anuro do Oeste de Tordesilhas.

Lá estavam a espreita de uma boa dose de pinga (papo amarelo com caju verdolengo) compadre Simão Lica, Edson Amorim de Jesus (Sabiá), Seo Caetano, Tomas Ramos, Antonio João (o Totó ex- Marina da Rua dos Barreiros), Paulo Robsom, Careca (o Curupira), Polaco que assina Arruda e é meu primo de Corumbá, faltava ainda Natalino Cuspe Cuspe, cabo Nivaldo Pereira, João Cego, Xavante, Quintino Cangussu, Devanil Taxista, Autoridade, Giovani, Tres com Goma e outros enfim aquele pessoal que bate ponto naquela borda do rio Paraguai. Bem como ia dizendo a ligação de Sapinho, nos trouxe uma triste noticia, a professora Emilia Darcy de Zé Octavio havia desencarnado. Fiquei mudo por alguns instantes, logo este Bugre sempre brincando com os freqüentadores do Carne Seca!!!

Mantive meio pasmo, olhei para o compadre Simão que limpava a pia encardida que fica bem na soleira da latrina do Bar da Carne Seca, ele me indagou dizendo “O que foi pantaneiro?”. Fiquei ali parado quieto sem palavra na garganta..... Horas antes da ligação de Sapinho, meu mano mais velho Ditão Arruda havia me ligado; ele tinha fisgado uns pacus de medida, e feliz como sempre me ofertava um exemplar da sua farta pescaria. Simão lambia os beiços e roçava a palma da mão mirando como gato faminto a churrasqueira sebosa meio enferrujada com sua grelha embaçada com graxas de rins e outras peças bovinas .... em seguida reiterava a indagação.... “E aí pantaneiro, Ditão vai trazer os peixes para nós”.. tomei um fôlego, calei por uns instantes e disse.. “Não Simão, não é Ditão, é uma notícia triste, a minha estimada professora Emilia Darci de Souza Cuybano, faleceu....”.

Um silêncio tomou conta da varanda, da escada, a esta altura já tinha mais pessoas, mais fregueses, a maioria dizia...”Emilia Darcy, de Zé Octávio, da família Hill, foi minha professora” e assim se sucediam, quase todos com cabelos esbranquiçados pelas eras que já se passaram, porém todos unânimes em reconhecer o valoroso trabalho pedagógico de Emilia Darcy de Souza Cuybano.

Então coloquei meus neurônios para trabalhar firme, e que esquecessem de controlar os glóbulos vermelhos etc e coisa tal, e voltei lá nos anos 70, no Onze de Março, então me vi junto a Celso Antunes, Mauricio, Jose Henrique Ribeiro da Fonseca, Roberto, Augusto Cesar, Sebastião Duarte, Djanira Mendonça da Costa, José Rubens Alves Serrão, Roberto Serrão,José Maria, Regina do Carmo, Regina Magnes do Espirito Santo, Laurentino, Walmirzinho, Ildomar Nunes Macedo, Galo, Fernando, Romario, Ana Lucia Fornanciari, Tamar Alt, Massaco, Ivan Macedo, Eugenio, Nelson, Eliane, Jaimão, Jaminho Quebra Galho, Messias de Alencar, Marcel De Marchi, Edson Maia Gattass, João Osmar Castrillon (já falecido), Manoel de Medeiros, Luiz Bartolo, Benedito Guedes Rodrigues Junior, Neilson Juycilio Ramos Cardoso, Jose Antonio da Silva, Sebastião Duarte, Sirnely Hemorza, , Marlene Emiko Nakamura, Marcos Tutomo Nakamura, Jeremias Alves de Abreu, Meyre Fraga de Oliveira, Marcos Antonio de Oliveira, Helena Vanini, Rosileide Fraga, Maria Sebastiana Correa, Arlete Borges, Zé Egues, Florentino, Gediel (já falecido), Eliezer Silva (Nego) ,Miguel Sacramento, Vania, Marli Gonçalves, Silvestre , Zeferino Toledo, Luiz Fernando Gaguinho... Xi quanto aprendemos com a nossa mestra Emilia Darci?

Nos dias atuais o aparelho de TV está presente praticamente em todas as casas, entretanto naquela época a molecada da Padre Cassemiro, Operários, Coronel Ponce e Porto Carreiro se amontoavam na residência da professora Emilia, não somente para desfrutar de seus conhecimentos em auxilio aos deveres escolares, mas sobretudo para assistir os desenhos via TV. Sempre zelosa com os meninos, não demorava muito a servir alguns biscoitos com refrescos produzidos com frutos da ocasião.

Hoje é um dia triste, amanheceu embruscado, desceu uma chuva minguada regando a tórrida terra, porém teimando em não descer como que também protestasse pela ida da filha de Zé Octávio, tão pantaneira , tão autentica, que até nos apelidos dos filhos copiava um habito peculiar desta sua gente. Nossas condolências extensiva a família: Biba, Leko, Kuré, Daice e ao esposo Anibal cujo nome homenageia o um dos reis de Cartago que ousou peitar o poderoso Império Romano, com a mesma força da Anibal e de Amilcar consiga juntos aos filhos preencher a essa perda irreparável a família Motta Cuyabano. Dado a infausta noticia me falha o nome de um dos filhos da conterrânea Emilia Darcy, mas que Deus os conforte. (Joãozinho Arruda, se ex- aluno do 11 de Março).

(*) JOÃO ARRUDA é jornalista em Cáceres.

Os artigos assinados são de responsabilidade dos autores e não refletem necessariamente a opinião do site de notícias www.hnt.com.br

 

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Janete Garcia de Oliveira Valdez 17/10/2011

Oi João, só agora, lendo o seu artigo que tomei conhecimento da passagem da professora Emilia Darcy, um ícone da Educação em Mato Grosso. Eu estudei no Onze de Março em 1979, oriunda do Sul. Ali terminei o magistério e em 1.980, com 18 anos ingressei, via concurso, como professora efetiva justo naquela escola. Aprendi muito, muito mesmo com a professora Emilia. Ela se foi, mas deixa a marca para sempre na Educaçao Matogrossense e em nossas vidas.

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