Aos 40, muita coisa muda. O corpo, os hormônios, os ciclos, as prioridades. Mas, acima de tudo, muda o olhar. Um olhar mais atento, mais crítico, mais honesto. Se eu pudesse sentar hoje diante da mulher que fui aos 30, talvez não dissesse grandes fórmulas, nem entregasse manuais prontos. Eu apenas diria: seja mais gentil com você. Você está fazendo o melhor que pode.
Aos 30, carregamos uma pressa que não é nossa. Queremos dar conta de tudo, corresponder a todos, ser excelentes profissionais, mães impecáveis, companheiras perfeitas, filhas exemplares. Vivemos tentando caber em expectativas que nem sempre escolhemos. O corpo pede pausa, mas a mente exige produtividade. O cansaço vira rotina. A culpa, companhia constante.
Na clínica, vejo isso todos os dias. Mulheres que chegam exaustas, com dores difusas, insônia, queda de cabelo, irritabilidade, ansiedade. Quando perguntadas como estão, respondem automaticamente: “Tudo bem”. Mas o corpo grita o que a boca silencia. E, muitas vezes, esse grito começou lá atrás, quando ignoramos os próprios limites em nome de dar conta de tudo.
A mulher que eu gostaria de ter ouvido aos 30 me diria que não é preciso provar valor o tempo todo. Que descanso não é preguiça. Que dizer não é um ato de amor-próprio. Que o corpo não é máquina, e a mente, menos ainda. Ela me lembraria que sucesso não pode custar saúde, e que relacionamentos não devem custar dignidade.
Talvez ela me dissesse, com delicadeza, que não é preciso se encolher para caber em espaços pequenos. Que não devemos aceitar migalhas emocionais, profissionais ou afetivas. Que não precisamos permanecer onde não somos vistas, ouvidas ou respeitadas. Aos 40, entendemos que permanecer também é uma escolha e que ir embora, muitas vezes, é um gesto de coragem.
Também me diria para cuidar mais cedo do sono, da alimentação, do movimento, dos hormônios e da saúde emocional. Não por estética, mas por longevidade. O corpo cobra, sim, mas ele avisa antes. Só não escutamos. Pequenos desequilíbrios aos 30 se transformam em grandes desafios aos 40. Prevenir é um ato de amor com a mulher que você ainda vai se tornar.
Mas, acima de tudo, a mulher que eu queria ter ouvido aos 30 me diria que está tudo bem mudar de ideia. Que sonhos não precisam ser definitivos. Que recomeçar não é fracasso. Que amadurecer é, muitas vezes, desapegar de versões antigas de si mesma. Aos 40, entendemos que a vida não é linha reta. Ela é feita de curvas, pausas, desvios e reencontros.
Hoje, percebo que a maturidade traz algo raro: liberdade interna. A liberdade de não agradar o tempo todo. De escolher com mais consciência. De se respeitar com mais firmeza. De viver com menos culpa e mais presença. Aos 40, a mulher começa a habitar o próprio corpo com mais verdade e a própria história com mais compaixão.
Se eu pudesse deixar uma mensagem para quem está nos 30, seria simples: confie mais em você. Cuide-se agora. Escute seu corpo. Honre seus sentimentos. Você não precisa ser tudo, nem para todos. Você só precisa ser inteira para si mesma.
Porque, no fim, a maior conquista da maturidade não é o que acumulamos, mas o que aprendemos a soltar. E quando isso acontece, algo precioso nasce: uma mulher mais consciente, mais livre e profundamente mais viva.
(*) BRUNA GHETTI é ginecologista, referência em tratamentos íntimos e longevidade.
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