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Artigos Sexta-feira, 25 de Abril de 2014, 08:31 - A | A

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Sexta-feira, 25 de Abril de 2014, 08h:31 - A | A

A Campanha da Copa

Por que fazer campanhas no país do futebol para justificar a realização da Copa?

FRANCISCO VIANA




Arquivo Pessoal

Existem dois marcos da democratização brasileira, ambos reais. O primeiro, foi a mobilização das ‘Diretas já’ que mobilizou cerca de dois milhões de pessoas em São Paulo e 1 milhão no Rio de Janeiro, entre janeiro e abril de 1984, portanto há mais de 30 anos; o segundo, foi a promulgação da Carta Cidadão de 1988, que restaurou as eleições diretas em todos os níveis, a começar pela escolha da presidência da República.

Pode-se, também considerar-se como marcos democráticos o impeachment de Fernando Collor de Mello, as eleições por dois mandatos de Fernando Henrique Cardoso e de Luiz Inácio Lula da Silva, este um líder operário à esquerda, e de Dilma Rousseff, está também à esquerda, a primeiro mulher a ocupar a presidência da república.

Para cada um desses momentos chave da história, corresponde uma tentativa de escapar à crescente, crítica da mídia. Como elos fortes dessa mesma corrente se somam recursos tais como: o jornalista pergunta uma coisa, o entrevistado responde outra; colocado nas cordas pelo entrevistador, seja qual for o assunto, o entrevistado responde com argumentos idênticos, previamente ensaiados; quando as denúncias crescem em espiral aqueles que estão no olho do furacão simplesmente reclamam serem vítimas de 'linchamentos mediáticos' e, por fim, chega-se à sofisticação, se é que se pode utilizar tão refinada palavra, de simplesmente negar a existência dos fatos.

O tronco ancestral dessas práticas encontra-se ainda no período da ditadura militar, o singelo "nada a declarar" de Armando Falcão, que foi ministro da Justiça no Governo Geisel, época da distensão política, lenta e gradual.

Na realidade, não há como negar os fatos. Nem muito menos como fugir deles. Fatos são teimosos e não se dissipam jamais, mesmo quando aparecem e circulam. O resultado é uma comunicação mais baseada na propaganda e no marketing do que na informação factual. Vive-se assim o império da imagem, hoje cada vez consumida pela fornalha dos fatos.

Na peça ‘A FLOR DO MEU BEM QUERER’ (2003), de Juca de Oliveira, por exemplo, o temor à mídia sobrevoa a vida dos políticos. O senador Zé Otávio, corrupto por trajetória, treme todas as vezes que seu nome aparece negativamente na mídia. Em seus momentos de desespero, a mídia ganha os contornos de um juiz implacável e esse juiz é a opinião pública. É o que se repete hoje, em escala ampla, com as mídias sociais.

Esses paradoxos relações democracia e mídia parecem se condensar na campanha oficial que agora chega à mídia para tentar resgatar o apoio da sociedade à Copa do Mundo, às vésperas dos jogos. Como uma iniciativa dessas num pais que historicamente se caracteriza como a terra do futebol?

Não tivessem surgido tantas contradições, a começar pela construção de um sem número de estádios numa época em que as pessoas assistem jogos pela televisão, e todo um extenso cortejo de problemas diariamente noticiados, a campanha seria totalmente desnecessária. De futebol, o brasileiro entende.

Pergunta: não seria mais fácil vir a público e explicar que foi um erro sediar a Copa e, assim, divulgar a mensagem universal de que é importante receber os visitantes de forma fraterna, deixando para discutir a herança da copa no momento seguinte aos jogos? Afinal, Copa é festa e festa não é o momento para confrontos.

Estratégias construtivas não faltam, porém sem recurso à uma campanha dispendiosa e sem sentido, sobretudo quando se vive uma crise política de proporções e se está às vésperas de uma eleição presidencial. Foi um erro foi, mas a Copa deve ser vista como um momento de trégua, não de confronto.

Dito isso, por qualquer ângulo que se avalie, a campanha lembra a velha e ultrapassada forma de não encarar os fatos. A forma contemporânea trilha o caminho inverso: enfrentar os fatos e trabalhar para superar as próprias contradições. Ou seja, admitir o erro e buscar corrigi-lo. Não repetir um erro com outro erro.

Leituras recomendadas :
CHOMSKY, Noam. Mídia: propaganda política e manipulação. Trad. Fernando Santos. São Paulo: Martins Fontes, 2013.


* FRANCISCO VIANA é comunicador e mestre em filosofia política (PUC-SP)

Os artigos assinados são de responsabilidade dos autores e não refletem necessariamente a opinião do site de notícias www.hnt.com.br

 

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Carlos Nunes 25/04/2014

Um novo marco democrático seria eleger o Doutor Joaquim Barbosa, o primeiro presidente da república da raça negra. Mas ele não seria igual ao Obama, aqui ele seria mais um Zumbi do Palmares do século XXI, que além de combater as injustiças, combateria a Corrupção e a Impunidade, as duas pragas do país. E olha que os sites divulgaram que ele consultou alguns partidos para ver se podia filiar, e a resposta evasiva foi a mesma: ele só iria atrapalhar. O Que? Só um círculo vicioso da corrupção, aonde tem uma porção de gente só pensando...Como vamos meter a mão no dinheiro público, sem deixar pista?

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