Quem vive o agro sabe: o calendário não manda na lavoura. Em épocas de plantio e colheita, o ritmo é outro, e a margem de erro é mínima. A decisão certa no dia errado vira prejuízo. A decisão errada no dia certo também.
E os riscos não vêm de um único lugar. Tem o clima, pragas, logística. Tem preço que oscila, câmbio que mexe em custo e receita, crédito que encurta ou encarece. E tem algo que pouca gente coloca na ponta do lápis com frieza: o risco de concentrar patrimônio, liquidez e regras do jogo em um único país e uma única moeda.
O agro brasileiro segue sendo uma potência, com tecnologia, produtividade e escala mostram isso. Mas um ponto precisa ser dito com objetividade: um negócio pode ser excelente e ainda assim carregar risco patrimonial excessivo quando a família está 100% dependente do mesmo ambiente econômico e institucional.
Internacionalizar não é “tirar tudo do país”. É criar um segundo eixo de estabilidade. Internacionalizar parte do patrimônio significa, na prática, diversificar: moeda, para reduzir a dependência do real; custódia e jurisdição, para mitigar concentração institucional; liquidez, para atravessar ciclos com mais previsibilidade; e, muitas vezes, organização sucessória, com governança mais clara e executável.
Para o grande produtor, isso tem uma consequência direta: gera mais resiliência em períodos de estresse e mais capacidade de decisão quando o mercado fica caro, curto ou instável.
Por que uma conta na Suíça costuma entrar nessa estratégia?
Quando bem estruturada e alinhada ao perfil do cliente, uma conta na Suíça pode oferecer vantagens muito concretas:
Custódia e infraestrutura bancária voltadas a patrimônios relevantes - bancos com forte tradição em gestão de fortunas tendem a oferecer plataformas robustas para custódia multi-moeda, execução de investimentos e relatórios, além de uma abordagem mais patrimonial e menos “varejo”.
Diversificação cambial e de risco-país com mais simplicidade operacional - para famílias que já têm risco operacional no agro e risco patrimonial no Brasil, ter parte do patrimônio sob outra jurisdição pode funcionar como “amortecedor” de ciclo.
Acesso a crédito com garantia sobre carteira (crédito lombar) - aqui está um ponto que interessa muito ao produtor: transformar parte do patrimônio financeiro em uma linha de crédito eficiente, preservando investimentos e gerando liquidez quando faz sentido.
Crédito lombar: o que é e por que pode ser estratégico para o produtor rural?
Crédito lombar (Lombard loan) é, de forma simples, um empréstimo garantido por ativos financeiros depositados no banco, como por exemplo: títulos, fundos, bonds, ações elegíveis, entre outros. Em vez de vender investimentos para gerar caixa, o cliente usa a carteira como garantia e toma crédito.
Em cenários bem escolhidos, o crédito lombar pode ajudar a evitar a venda de ativos em momentos ruins, quando o mercado está baixo ou quando a venda geraria imposto/custo de oportunidade. Gera ainda, liquidez rápida para aproveitar oportunidade: compra de insumo com desconto, maquinário, expansão, aquisição de área, ou reforço de capital de giro. Contribui com o planejamento de fluxo de caixa com mais previsibilidade, reduzindo dependência exclusiva do crédito local. Por fim, alavanca investimentos de forma controlada, quando a matemática fecha e o risco é administrável.
Na prática, o banco avalia a qualidade e liquidez da carteira e define o quanto ela “suporta” como garantia (o percentual depende dos ativos). Define condições como moeda do empréstimo, prazos, custo e mecanismos de chamada de margem. O cliente recebe a liquidez e continua com a carteira investida — com o cuidado de que o risco agora é duplo: mercado + endividamento.
O cuidado que separa a estratégia da dor de cabeça
Crédito lombar pode ser excelente, mas também pode ser perigoso. A diferença entre um cenário e outro está em três fatores:
Volatilidade da carteira: ativos muito voláteis aumentam risco de “margin call” (pedido de aporte/ajuste de garantia).
Tamanho da alavancagem: quanto maior, mais sensível a oscilações.
Casamento de moeda e fluxo: tomar crédito em moeda forte sem ter disciplina de fluxo/hedge pode virar ruído grande.
Em outras palavras: lombar não é “dinheiro barato”. É uma ferramenta de liquidez e eficiência, que exige governança, limites e desenho conservador.
E onde entram estruturas patrimoniais (quando fizer sentido)
Para certas famílias, a conta no exterior e o crédito lombar podem fazer parte de um desenho maior, com holdings internacionais, fundações privadas ou trusts, com objetivos como: governança familiar, sucessão, proteção patrimonial e organização do controle societário/participações.
O objetivo não é complexidade: é controle, previsibilidade e continuidade.
O agricultor já convive com risco climático, de mercado e operacional. Por isso, faz sentido pensar em uma camada patrimonial que reduza concentração e aumente opções.
Para muitas famílias rurais, uma conta na Suíça bem estruturada e combinada, quando apropriado, com crédito lombar, pode representar exatamente isso: diversificação, liquidez e capacidade de investimento com mais eficiência.
(*) ESTER CELLA é filha de produtores rurais de Sorriso e advogada. Especializada em proteção e planejamento patrimonial internacional, e seu sócio;
(*) ALEXANDRE ARREGUI é empresário e advogado estrategista internacional de patrimônios, sediado na Suíça.
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