O Rei Charles III enviou uma carta destinada ao cacique Raoni Metuktire, reconhecido mundialmente por sua atuação na luta por direitos dos povos indígenas e pela defesa do meio ambiente. O documento foi entregue pela Encarregada de Negócios da Embaixada do Reino Unido no Brasil, Melanie Hopkins, durante “O Chamado do Cacique Raoni – Grande encontro das lideranças guardiãs da Mãe Terra”, que se encerra nesta sexta-feira (28), na Aldeia Piaraçu, território kayapó, em São José do Xingu (932 km de Cuiabá). Na carta, o monarca britânico reconhece as contribuições do cacique Raoni para a preservação da Amazônia e a proteção dos povos indígenas.
O evento conta com a presença de cerca de 800 representantes de vários povos indígenas, do governo brasileiro e sociedade civil. Nesta sexta, a ministra dos Povos Indígenas, Sonia Guajajara, também integra a programação do encontro.
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Na carta, o monarca britânico reconhece as contribuições do cacique Raoni para a preservação da Amazônia e a proteção dos povos indígenas. O Rei Charles III conheceu Raoni em 2009. Na ocasião, expressou sua preocupação com as mesmas causas que marcam a trajetória do cacique. O Rei enxerga a posição central do Brasil para a preservação da natureza e para o combate às mudanças climáticas.
A Encarregada de Negócios Britânica acredita que o impacto de Raoni ultrapassa fronteiras. “O Cacique Raoni tem uma trajetória fundamental de conscientização da humanidade em relação aos direitos e à situação dos povos indígenas. O impacto da atuação dele vai além do Brasil. Eu mesma, que nasci numa região rural do Reino Unido, tomei conhecimento de sua história. Foi ótimo participar desse momento de celebração da vida dele. Quando penso em Raoni, penso numa liderança que é capaz de levar a luta dos povos indígenas para o mundo inteiro”, afirmou Hopkins.
A organização britânica sem fins lucrativos Global Canopy está contribuindo com o Instituto Cacique Raoni na organização do evento no Xingu. A instituição fornece dados, métricas e avaliações para que grandes empresas, instituições financeiras, governos e organizações ao redor do mundo possam melhorar suas práticas em relação à proteção das florestas e da biodiversidade.
O governo britânico também colaborou financeiramente para a realização do evento por meio do Programa REDD for Early Movers (REM), ou REDD para Pioneiros, em tradução livre. A sigla REDD, por sua vez, significa Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal. Trata-se de um modelo adotado pela ONU para a compensação financeira de iniciativas capazes de comprovar a redução de emissões de gases de efeito estufa. O REM, que também conta com apoio do governo alemão, colabora para a aplicação desta abordagem em países selecionados, como o Brasil. O objetivo do incentivo financeiro é promover a proteção das florestas, uma das estratégias mais efetivas para o combate às mudanças climáticas. O Reino Unido atua no REM nos estados do Acre e de Mato Grosso.
APOIO BRITÂNICO AOS POVOS INDÍGENAS NO BRASIL
O Reino Unido reconhece a importância fundamental das comunidades indígenas para a conservação das florestas e da biodiversidade e o fato de que estes povos são os mais afetados pelas mudanças climáticas e por crimes ambientais.
A maioria dos programas de apoio do governo britânico aos povos indígenas opera no âmbito do Financiamento Internacional para o Clima (ICF) com enfoque em florestas.
Entre 2017 e 2023, o ICF já colaborou formalmente para mais de 40 povos indígenas, alcançando mais de oito mil pessoas. Este apoio foi concedido por meio de contribuições para mais de 90 projetos no âmbito dos subprogramas indígenas do REM Mato Grosso e Acre. Estas iniciativas cobrem áreas como treinamento de agentes para combater incêndios, planos de gestão territorial, infraestrutura e apoio emergencial durante o auge da pandemia de covid-19. O objetivo destas ações é desenvolver fontes sustentáveis de renda, garantindo direitos e fortalecendo a segurança alimentar.
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