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Política Terça-feira, 11 de Agosto de 2026, 10:30 - A | A

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SEM "CLIMA"

Ranalli vê risco de LDO virar “palanque eleitoral” na Câmara de Cuiabá e defende adiamento

Vereador alega que disputas pela Mesa Diretora e pleito eleitoral de 2026 contaminam debate orçamentário; prefeito Abilio Brunini deve reenviar projeto apenas na segunda metade de outubro

BIANCA MORTELARO
Da redação

HNT

RAFAEL RANALLI

O vereador Rafael Ranalli (PL) afirmou que não há “clima” para votar o projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2027 na Câmara Municipal, devido às articulações da eleição da Mesa Diretora e a eleição estadual. Para Ranalli, o tema pode ser utilizado como palanque político por vereadores adversários do prefeito Abilio Brunini (PL).

“Eu acho que a Câmara não está com clima para votar pautas assim dessa magnitude, haja vista essa disputa que tem pela Mesa. Eu acredito que depois da eleição já vai estar mais pacificado, tanto de um lado quanto para o outro”, destacou o parlamentar em coletiva de imprensa nesta terça-feira (11).

LEIA MAIS: Abilio segura LDO por mais dois meses e cita risco de interferência eleitoral

Ao justificar o alinhamento ao cronograma definido por Brunini, que deve enviar o documento apenas na segunda quinzena de outubro, o vereador bolsonarista citou as articulações em torno da eleição interna da Casa de Leis e as eleições gerais de 2026. O aliado também ressaltou que a base governista se reuniu e concordou com o adiamento do envio do projeto.

“A gente tem hoje aqui dentro da Câmara esse clima das próprias eleições, não só da Mesa, mas as eleições gerais que vão ter esse ano. Então acho que não é o momento do Abilio mandar agora [a LDO], ele falou isso para a gente da base, a gente anuiu com ele”.

Conforme o vereador, por não haver um prazo deliberado para o envio da LDO a população não terá que arcar eventuais “prejuízos”, finalizando que o tempo hábil com o novo cronograma de Brunini auxiliará em novas discussões e diálogo entre os parlamentares.

“Acho que essa discussão pode ser levada à frente até porque não tem o prazo, então não vai causar prejuízo para a cidade em nenhum momento, então eu concordo com esse posicionamento dele até para dar mais tempo para a gente discutir, e alguns vereadores não utilizar como palanque eleitoral também”.

Ao concluir sua fala, Ranalli destacou que o debate em torno da LDO pode ser utilizado como ‘munição’ para ataques ao Executivo, além de ser utilizado como palanque político para os que irão disputar vagas estaduais e federais.

“É um momento que tem essa disputa, a esposa dele é candidata, vários vereadores aqui ou são candidatos ou apoiam alguém que pode se beneficiar ali num ataque ao prefeito, num ataque à LDO, e a cidade não precisa disso nesse momento”, finalizou.

ENTENDA

A crise em torno da LDO teve início após uma derrota inédita do Executivo, em que o projeto obteve apenas 12 votos favoráveis, sendo dois a menos que o quórum necessário para aprovação. Na ocasião, o prefeito atribuiu o resultado à polarização política gerada pela disputa antecipada pelo comando da Mesa Diretora da Câmara para o biênio 2027/2028.

Como solução para o impasse, Brunini defende um rito separado para as peças orçamentárias: protocolar a Lei Orçamentária Anual (LOA) imediatamente para avançar nas discussões técnicas, enquanto aguarda o momento político ideal para reapresentar a LDO na segunda quinzena de outubro. O gestor reconhece que, embora o envio da LOA seja um dever administrativo, o Legislativo precisa obrigatoriamente aprovar a LDO antes de levar a LOA para votação em plenário.

Enquanto o novo projeto não é apresentado, as sessões ordinárias da Câmara seguem mantidas para garantir a fiscalização do Executivo. Por outro lado, a ausência de diretrizes aprovadas gera incertezas sobre o planejamento urbano e social da capital, uma vez que a LDO é o alicerce que orienta a previsão de receitas e despesas para o ano seguinte.

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