Os prefeitos dos municípios do Estado prometeram entrar em um embate caso o pagamento da dívida da Saúde não seja realizado nos próximos 60 dias. A atitude dos gestores foi reflexo do discurso inflamado do governador Silval Barbosa (PMDB) na abertura do 29° Encontro de Prefeitos, realizado na Associação Mato-grossense dos Municípios (AMM), nesta quarta-feira (9).
Na ocasião, o governador anunciou que a quitação da dívida de R$ 18 milhões será feita nos próximos 60 dias e que vem trabalhando arduamente para fazê-lo, mas isso não convenceu os prefeitos que já articulam entrar em um embate caso o pagamento não seja feito no prazo estipulado. Mayke Toscano/Hipernoticias O presidente da AMM, Meraldo Sá, assegura que os gestores municipais estão revoltados com os "excesso" de investimento em obras da Copa enquanto a Saúde é deixada em último plano Os gestores dos municípios do interior, principalmente, demonstraram a insatisfação com a inversão de prioridades que o governo tem dado às situações tidas como essenciais à gestão pública. Isso porque, segundo os gestores, a Saúde está sendo tratada com descaso, enquanto se prioriza a Copa do Mundo. O prefeito de Diamantino, Juviano Lincoln (PPS), pontuou que a situação do município está insustentável. A cidade possui 120 mil habitantes e o gasto com a saúde gira em torno de R$ 250 mil que o município vem custeando desde o início do ano, período em que o valor parou de ser repassado pelo Estado.

Este número corresponde a 40% da arrecadação do município, enquanto 7% é gasto com a Câmara e 30% com a Educação. “Somados são 77% de gastos. Não sobra quase nada para investimento em infraestrutura”, explica.
O prefeito é enfático em afirmar que não crê no pagamento dentro do prazo e cita a Copa do Mundo como um dos principais motivos para a não liquidação da dívida.
REVOLTA E COBRANÇA
“Não se pode deixar o Silval fazer igual ele fez ontem. Falar e falar de pagamento e não conseguir enganar ninguém. Não podemos deixar a saúde nesse caos. Que se exploda a Copa do Mundo. Não pode deixar uma família passar necessidade na área da saúde em troca de um ou dois jogos de futebol”, desabafa.
Aproveitando a indignação do prefeito de Diamantino, o gestor de Nova Marilândia, Juvenal Alexandre da Silva (PR) salientou que o município de 4 mil habitantes está com repasse atrasado em cinco meses referentes a 2011 e três meses deste ano. Ao todo, o valor a ser pago é de R$ 170 mil, que também vem sendo bancado pelo governo municipal.
O valor compromete 20% da arrecadação de Nova Marilândia, que é de 700 mil ao mês, e poderia ser investido em infraestrutura, segundo Juvenal. “Já tentamos dialogar com o governador e ele disse que ia pagar há muito tempo e até agora nada. A gente está desacreditado, está deixando de investir na cidade e assumimos uma responsabilidade do Estado”, afirma.
Juvenal também acredita que a Copa tem sido um grande problema para o desenvolvimento do estado. “O gasto com a Saúde na nossa cidade é mínimo quando comparado aos investimentos na Copa. É um gasto excessivo que está sendo investido nas maiores cidades e o interior é esquecido”, garante.
Apresentando apoio aos gestores, o presidente da AMM e prefeito de Colíder, Meraldo Sá, assegurou que a instituição não será complacente com um novo prazo para pagamento e que aproveitará o encontro dos prefeitos para definir as medidas que poderão ser adotadas caso o prazo do pagamento da dívida expire.
“Não estamos exigindo nada que não nos seja de direito. Se tivermos de interpelar judicialmente, assim o faremos. Não podemos mais aguentar promessas de amanhã e amanhã. Se precisar vamos invadir o plenário. É uma solução que precisa de imediatismo”, garante.
Embora nenhuma medida de atuação tenha sido definida caso não haja o pagamento, os 140 municípios associados já dialogam sobre uma possível ação, mas prometem aguardar o prazo. “Iremos esperar 60 dias. Nada mais, nada menos. Caso o pagamento não seja feito no 61º dia, vamos pressionar e vamos resolver essa situação. Isso já está insustentável”, finaliza.
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