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Política Terça-feira, 18 de Agosto de 2026, 07:37 - A | A

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Terça-feira, 18 de Agosto de 2026, 07h:37 - A | A

CONFRONTO DIRETO

Pivetta e Wellington trocam ataques e Natasha mira gestão em primeiro debate

Otaviano Pivetta, Natasha Slhessarenko e Wellington Fagundes participam de emabte promovido pelo Primeira Página

CAMILA RIBEIRO
Da Redação

Arte/HNT

Os candidatos ao governo Otaviano Pivetta, Natasha Slhessarenko e Wellington Fagundes.

Os candidatos ao governo Otaviano Pivetta, Natasha Slhessarenko e Wellington Fagundes.

Os candidatos ao governo Otaviano Pivetta (Republicanos), Natasha Slhessarenko (PSD) e Wellington Fagundes (PL) participam do primeiro das eleições 2026 debate nesta quinta-feira (18) promovido pelo site Primeira Página. 

O tema sorteado na fase de perguntas que encerrou o primeiro bloco foi rede de proteção às mulheres. Wellington Fagundes questionou Natasha Slhessarenko sobre as ações do governo atual para evitar que Mato Grosso registrasse índices elevados de assassinatos de mulheres.

Natasha criticou a atuação da atual gestão e afirmou que os esforços foram insuficientes. A candidata citou a morte de quatro mulheres na última semana e afirmou que “o feminicídio é o fim da linha”.

Além dos feminicídios, Natasha destacou os índices de estupro registrados em Mato Grosso. Entre as propostas apresentadas em seu plano de governo está a criação de uma Secretaria da Mulher.

A candidata também afirmou que pretende ampliar o número de policiais nas ruas, retirando cerca de 700 agentes que atualmente atuam em funções administrativas para reforçar o policiamento ostensivo. Segundo Natasha, a medida teria como objetivo “fazer a defesa das mulheres e do cidadão”.

Outra proposta apresentada foi a criação de casas de acolhimento para mulheres vítimas de violência.

Na réplica, Wellington afirmou que não concorda que mulheres tenham de esperar uma agressão acontecer para então procurar ajuda do governo. O candidato apresentou propostas em três frentes: criação de uma Secretaria da Mulher, implantação de delegacias 24 horas em todo o Estado e criação de mecanismos de autonomia econômica para mulheres vítimas de violência.

Wellington também defendeu auxílio financeiro emergencial para mulheres em situação de violência, com o objetivo de romper o ciclo de dependência econômica, além da implantação da Sala Lilás nos 142 municípios de Mato Grosso.

Na tréplica, Natasha lamentou o número de mortes de mulheres e afirmou que cerca de 60 mulheres foram assassinadas. A candidata voltou a defender a criação de casas de acolhimento.

Natasha também ampliou o discurso para a área da infância e afirmou que, se eleita, pretende ser a governadora que mais ampliou o número de crianças atendidas em creches.

Wellington encerrou o bloco mencionando o apoio da esposa, Marielle Fagundes, para a construção das políticas voltadas às mulheres.

GARIMPOS ILEGAIS

O próximo tema foi garimpos ilegais. Otaviano Pivetta foi sorteado para questionar Wellington Fagundes e perguntou quais medidas o candidato pretende adotar para estimular a mineração em Mato Grosso.

Na resposta, Wellington citou uma investigação envolvendo o ex-governador Mauro Mendes (União Brasil) relacionada à suposta exploração irregular de garimpos e à contaminação de solos por iodo.

Em seguida, Fagundes afirmou que menos de 2% do potencial mineral de Mato Grosso é explorado. Para o candidato, o Estado precisa encontrar formas de aproveitar suas riquezas naturais, com investimentos em tecnologia.

Wellington voltou a citar o senador e astronauta Marcos Pontes como um possível parceiro para o desenvolvimento de tecnologias voltadas à exploração mineral.

Na réplica, Pivetta afirmou que sua gestão criou um Departamento de Mineração dentro da Secretaria de Desenvolvimento Econômico. Segundo o governador, o Estado está realizando o mapeamento e o inventário do potencial mineral de Mato Grosso.

Pivetta afirmou ainda que a intenção é estimular a formalização da atividade mineradora e ampliar a fiscalização, com participação da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema).

O governador rebateu a afirmação de Wellington sobre o potencial mineral estar concentrado em poucas pessoas e afirmou que o objetivo é identificar as riquezas existentes em todo o território estadual.

Pivetta também destacou que a Sema atua na fiscalização para coibir atividades irregulares. Na tréplica, Wellington voltou a mencionar investigações da Polícia Federal envolvendo aliados de Pivetta. 

Com isso, o primeiro bloco do debate foi encerrado.

RODOVIAS EM MT

O primeiro tema sorteado no debate foi obras em rodovias. Natasha Slhessarenko foi a primeira a perguntar e questionou o governador Otaviano Pivetta sobre o custo do quilômetro de rodovia em Mato Grosso, citando o que classificou como o “km mais caro do Centro-Oeste”.

Pivetta defendeu a atuação de sua gestão e afirmou que foram construídos cerca de 7 mil quilômetros de novas estradas. O governador admitiu que houve problemas em algumas obras, mas argumentou que as falhas são identificadas e solucionadas.

Na resposta, Pivetta destacou a BR-163 e lembrou que o Estado assumiu a concessão da rodovia . 

Natasha rebateu apontando problemas na infraestrutura e voltou a questionar o custo do quilômetro rodoviário em Mato Grosso.

Pivetta reconheceu problemas na BR-163, mas defendeu a decisão de assumir a rodovia. Segundo ele, o Estado tomou um empréstimo de R$ 5,5 bilhões, com juros e correção, para viabilizar a operação.

O governador afirmou ainda que a iniciativa colocou fim a um problema que se arrastava havia 30 anos e que provocava acidentes e mortes na rodovia.

MUDANÇAS CLIMÁTICAS

Na sequência, Wellington Fagundes questionou Natasha sobre as medidas para enfrentar as mudanças climáticas.

Natasha afirmou que Mato Grosso foi o único estado da Amazônia Legal a registrar aumento do desmatamento em 2025 e criticou o baixo orçamento destinado à área ambiental. Segundo ela, apenas 0,7% do orçamento é destinado ao setor.

A candidata defendeu uma política de sustentabilidade com preservação das matas ciliares e dos rios. Também destacou que Mato Grosso tem uma economia fortemente ligada ao agronegócio e depende diretamente das condições climáticas.

Wellington citou a proposta de criação do Estatuto do Pantanal e mencionou o histórico de queimadas no bioma, destacando que cerca de 4 milhões de hectares foram atingidos pelo fogo em quatro anos.

O candidato também apresentou propostas que, segundo ele, seriam voltadas à prevenção e ao enfrentamento dos efeitos das mudanças climáticas: criação da chamada “Renda Verde”, com a formação de um mercado estadual de carbono; criação de um sistema para apoiar municípios em períodos de seca e estiagem severa; e estabelecimento de protocolos rápidos nos hospitais para prevenção e atendimento de idosos e crianças em situações provocadas por eventos climáticos.

Na tréplica, Natasha defendeu a necessidade de prevenção e afirmou que Mato Grosso vive um período extremamente difícil em relação às queimadas. Segundo ela, é necessário assumir responsabilidade e compromisso com a preservação ambiental.

Wellington, por sua vez, citou programas de parceria para levar equipamentos ao Pantanal e afirmou que já houve ações para disponibilizar estruturas destinadas ao combate ao fogo.

ALUNOS COM DEFICIÊNCIA E NEURODIVERGÊNCIA

O terceiro tema sorteado foi o atendimento a alunos com deficiência e neurodivergentes.

Otaviano Pivetta questionou Wellington Fagundes sobre as propostas para atender crianças que necessitam de acompanhamento individualizado.

Wellington citou sua atuação no Congresso e afirmou ter votado, em 2021, um projeto relacionado à reforma do sistema de atendimento psicossocial. Também mencionou o Hospital Adauto Botelho, em Cuiabá, e criticou o que classificou como um desmonte do atendimento especializado.

Pivetta trouxe o tema para uma dimensão pessoal ao mencionar o neto Antônio, que tem autismo. O governador afirmou que a discussão não deve se limitar à saúde mental, mas também envolver a inclusão dessas crianças e das próximas gerações.

O governador apresentou uma proposta de estruturação das Apaes e de unidades especializadas para atender alunos neurodivergentes. A ideia, segundo ele, é garantir profissionais e estrutura para o atendimento e, conforme as crianças sejam identificadas e estejam preparadas, promover a transferência para a rede regular.

Wellington afirmou que o atual governo reduziu os recursos destinados às Apaes. Disse ainda que seu compromisso será ampliar os repasses às instituições e fortalecer o suporte oferecido às famílias dos pacientes.

Na tréplica, Pivetta afirmou que o governo reformou o Hospital Adauto Botelho e que trabalha na estruturação do atendimento. A fala ficou interrompida no material enviado.

SEGUNDO BLOCO

 

No segundo bloco, os candidatos discutiram temas livres, com cinco minutos destinados a cada assunto. Wellington Fagundes, Natasha Slhessarenko e Otaviano Pivetta trocaram propostas e críticas em rodadas sobre violência contra a mulher, obras rodoviárias e atendimento especializado na saúde.

A primeira rodada foi aberta por Wellington Fagundes, que questionou Natasha Slhessarenko sobre homens que agridem mulheres.

Natasha classificou a violência como “horrorosa, inadmissível e inaceitável” e afirmou que, caso seja eleita, não haverá espaço em seu governo para homens que agridem mulheres. A candidata defendeu a educação como uma das principais ferramentas para combater a violência e também propôs ampliar o contingente policial.

Na réplica, Wellington afirmou que conhece casos de famílias em que homens agrediram mulheres e argumentou que não basta apenas prender o agressor. Segundo ele, é necessário impedir que a violência provoque mortes e sequelas.

O candidato voltou a defender a criação da Secretaria da Mulher e a ampliação do atendimento especializado em diferentes regiões do Estado, incluindo Araguaia, Sudeste, Oeste e Nortão. Wellington também citou a implantação da Sala Lilás, mecanismos emergenciais e linhas de crédito para mulheres como formas de romper o ciclo de violência.

Natasha respondeu que, além da Secretaria da Mulher, pretende ampliar o orçamento destinado às políticas públicas voltadas às mulheres. Ao encerrar a rodada, afirmou que Mato Grosso possui cerca de 500 órfãos do feminicídio.

OBRAS E ATAQUES

Na segunda rodada, Otaviano Pivetta direcionou a pergunta a Wellington Fagundes. O governador destacou que, em sete anos e meio de gestão, foram construídos cerca de 7 mil quilômetros de rodovias e associou Wellington à gestão do ex-governador Silval Barbosa, período em que o candidato ocupou a Secretaria de Obras.

Pivetta também citou o ex-chefe de gabinete Sinésio, mencionado em investigações relacionadas a corrupção, e questionou se Wellington pretendia “voltar à cena do crime” ao pedir votos para governar Mato Grosso.

Wellington defendeu Sinésio e afirmou que ele não foi condenado. O candidato também citou recursos que, segundo ele, conseguiu atrair para Mato Grosso, incluindo R$ 3 bilhões por meio de uma legislação aprovada durante sua atuação política, além de emendas de bancada.

Fagundes também mencionou a duplicação da BR-163 e afirmou que a obra posteriormente foi viabilizada por meio de concessão.

Na réplica, Pivetta classificou Wellington como “especialista do Dnit” e afirmou que o ex-presidente Jair Bolsonaro o teria “expulsado” da pasta. O governador também criticou o modelo de concessão da rodovia e fez referência ao pagamento por meio de pedágio.

SAÚDE

Na terceira rodada, Natasha questionou Pivetta sobre o atendimento especializado na rede pública de saúde. A candidata destacou a existência de filas para consultas e procedimentos especializados em Mato Grosso.

Pivetta respondeu que sua gestão criou novos hospitais e oito centros de diagnóstico. Também citou medidas de apoio aos municípios e afirmou ter destinado R$ 400 milhões para universalizar a atenção básica.

Na réplica, Natasha defendeu a distribuição de médicos especialistas também para o interior, e não apenas para Cuiabá. Ela citou a telemedicina como uma das propostas de seu plano de governo e questionou como os hospitais do interior serão equipados e contarão com profissionais especializados.

Pivetta afirmou que a estrutura precisa ser acompanhada de equipamentos e citou o Hospital Central, em Cuiabá. O governador também mencionou a realização de cerca de 300 mil procedimentos por meio do programa Fila Zero.

DIREITO DE RESPOSTA

Ao final do bloco, Wellington Fagundes obteve direito de resposta e voltou a fazer críticas a Pivetta.

O candidato lembrou que o atual governador foi coordenador da campanha do ex-governador Pedro Taques (PSB) e questionou a permanência do então secretário de Fazenda, Rogério Gallo, na gestão.

Fagundes também mencionou a quebra de seu sigilo bancário e desafiou Pivetta a apresentar provas das acusações feitas durante o debate.

ORGANIZAÇÃO DO DEBATE

Conforme a organização, o debate é dividido em três blocos, com perguntas feitas de candidato para candidato. Haverá rodadas com temas determinados e de tema livre, além das considerações finais.

Cada confronto terá cinco minutos. O candidato que fizer a pergunta terá dois minutos e 30 segundos para administrar entre pergunta e réplica, enquanto o adversário terá o mesmo tempo para resposta e tréplica.

Os temas e a ordem de participação serão definidos por sorteio. No último bloco, cada candidato terá dois minutos e 30 segundos para as considerações finais.

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