Recém-eleito senador por Mato Grosso e um dos principais nomes do bolsonarismo no Estado, José Medeiros (PL) afirmou nesta segunda-feira (5) que, atualmente, “não existe direita” no Brasil sem a figura do ex-presidente Jair Bolsonaro. A declaração ocorreu durante a mobilização de lideranças políticas de Mato Grosso para o segundo turno da eleição presidencial, que colocou Flávio Bolsonaro (PL) na disputa contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Medeiros foi eleito no domingo (4) para uma das duas vagas de Mato Grosso no Senado, com 977.777 votos (27,35%). A vitória marcou seu retorno à Casa, onde já havia exercido mandato entre 2015 e 2019. Durante a campanha, o deputado federal manteve uma atuação alinhada ao bolsonarismo e reforçou sua ligação com o ex-presidente.
Um dia após a eleição, Medeiros participou da reunião realizada em Cuiabá que reuniu diferentes grupos políticos do Estado em torno da candidatura de Flávio Bolsonaro. O encontro marcou uma reaproximação entre lideranças que estiveram em lados diferentes na disputa estadual, incluindo o grupo do senador eleito Mauro Mendes (União) e o núcleo ligado ao PL. Também participaram o governador reeleito Otaviano Pivetta (Republicanos), o presidente da Assembleia Legislativa, Max Russi (Podemos), deputados, prefeitos e outras lideranças.
Foi nesse cenário de reorganização do campo político após o primeiro turno que Medeiros resumiu sua avaliação sobre a direita brasileira.
“Não existe direita, existe Bolsonaro. A direita pode vir, a partir disso, se formar”, afirmou.
Segundo o senador eleito, Bolsonaro é hoje a liderança em torno da qual esse campo político se organiza. Para Medeiros, a consolidação de uma direita estruturada dependeria da formação de partidos com maior identidade e organização.
“O povo, quem quiser sobreviver nesse meio, precisa entender que, até que nós tenhamos partidos extremamente orgânicos, ele vai ter que seguir o líder. E o líder desse movimento agora, que poderá se tornar, sim, uma direita, é Jair Bolsonaro”, declarou.
ESTRATÉGIA
Medeiros também afirmou que Bolsonaro tinha como estratégia eleger o maior número possível de senadores aliados em cada Estado. Na avaliação dele, o cenário poderia ter sido ainda mais favorável ao grupo caso o ex-presidente tivesse permanecido livre para participar da articulação política.
“Se Bolsonaro tivesse solto e tivesse podido falar, nós teríamos feito muito mais senadores”, disse.
A avaliação ocorre após uma eleição em que o PL ampliou significativamente sua presença no Senado. A legenda elegeu 19 novos senadores, tornando-se o partido com maior número de eleitos para a Casa nesta eleição.
ÁGUAS PASSADAS
Questionado sobre as divergências ocorridas durante a campanha em Mato Grosso, Medeiros adotou um tom de conciliação e evitou reabrir as disputas que colocaram grupos políticos do Estado em lados opostos.
“Passado. A água se passando não move o moinho”, afirmou Medeiros.
Na avaliação do senador eleito, agora o objetivo é concentrar esforços na eleição presidencial. Ele defendeu que as diferentes forças políticas que apoiam Flávio deixem as divergências eleitorais para trás e atuem conjuntamente no segundo turno.
“Todos que estão nesse momento estão imbuídos de construção de um país. Então, todos são aceitos para o apoio a Flávio Bolsonaro, e nós temos que olhar para frente”, declarou.
A articulação em Mato Grosso deve continuar nesta terça-feira (6), quando parte da comitiva formada no Estado seguirá para Brasília para uma reunião com Flávio Bolsonaro e a direção nacional do PL.
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