As eleições gerais de 2026 estabeleceram um novo marco na representação feminina de Mato Grosso na Câmara dos Deputados, mas mantiveram a presença de mulheres em patamar reduzido na maior parte dos cargos em disputa. Dos 36 eleitos no estado, seja para Governo, Senado, Câmara dos Deputados e Assembleia Legislativa, seis são mulheres, o equivalente a 16,7% do total.
Os homens conquistaram 30 das 36 vagas, concentrando 83,3% da representação eleita. A diferença é mais acentuada no Senado e na Assembleia Legislativa. Nas duas vagas para o Senado, por exemplo, foram eleitos apenas homens: Mauro Mendes (União Brasil) e Zé Medeiros (PL).
No Executivo estadual, Gisela Simona (União Brasil) foi eleita vice-governadora na chapa encabeçada por Otaviano Pivetta (Republicanos). Já na Câmara dos Deputados, três das oito cadeiras serão ocupadas por mulheres: Coronel Fernanda (PL), Professora Rosa Neide (PT) e Virginia Mendes (União Brasil), o equivalente a 37,5% da bancada federal de Mato Grosso.
O resultado representa a maior presença simultânea de mulheres na bancada federal mato-grossense. Coronel Fernanda foi reeleita, Rosa Neide retorna ao Congresso após quatro anos fora da Câmara e Virginia Mendes estreia em um mandato eletivo no Legislativo federal.
HISTÓRICO FEMININO NA CÂMARA FEDERAL
A primeira mulher eleita deputada federal por Mato Grosso foi Teté Bezerra, em 1994. Em 1998, Celcita Pinheiro conquistou a cadeira e foi reeleita em 2002, ano em que Thelma de Oliveira também foi eleita. Naquele pleito, pela primeira vez, duas mulheres ocuparam simultaneamente a bancada federal do Estado.
Depois de um período sem mulheres na bancada federal, Professora Rosa Neide foi eleita em 2018 para a legislatura de 2019 a 2023. Professora e pedagoga, ela já havia atuado como vereadora de Diamantino e secretária de Educação de Mato Grosso antes de chegar ao Congresso.
Nas eleições de 2022, Mato Grosso voltou a eleger duas mulheres para a Câmara: Amália Barros e Coronel Fernanda. As duas foram eleitas pelo PL. Amália recebeu mais de 70 mil votos e exerceu seu primeiro mandato eletivo como deputada federal. Sua atuação ficou associada principalmente à defesa dos direitos das pessoas com visão monocular.
Amália morreu em maio de 2024, durante o exercício do mandato. A vaga foi posteriormente ocupada por suplente, enquanto Coronel Fernanda permaneceu na Câmara.
Agora, o resultado de 2026 amplia novamente a presença feminina e estabelece o maior número de mulheres eleitas simultaneamente para a bancada federal de Mato Grosso: três das oito cadeiras.
MULHERES NA ASSEMBLEIA MATO-GROSSENSE
A representação feminina na ALMT também possui um histórico marcado por poucas parlamentares. Oliva Enciso foi a primeira mulher eleita deputada estadual, em 1958, ainda antes da divisão de Mato Grosso. Após o desmembramento, Sarita Baracat foi a primeira mulher eleita para a Assembleia do novo Estado.
Entre os nomes que passaram pela Casa estão Serys Slhessarenko, Zilda Pereira Leite, Malba Tahan, Vera Araújo, Ana Carla Muniz, Chica Nunes, Luciane Bezerra, Teté Bezerra e Janaina Riva. Serys exerceu três mandatos estaduais antes de chegar ao Senado, enquanto Janaina foi eleita para a ALMT em 2014, 2018 e 2022.
Em 2026, Janaina deixou a disputa pela Assembleia para concorrer ao Senado. As duas vagas femininas da próxima legislatura serão ocupadas por Samantha do Abilio (PL), eleita com 57.900 votos, e Alessandra Ferreira (Podemos), com 50.802.
As duas estreiam na ALMT e representarão 8,3% da composição da Casa a partir de 2027.
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