A vereadora por Cuiabá Michelly Alencar (UB) classificou como “jogo político baixo” as recentes interferências do prefeito Abilio Brunini (PL) na Câmara Municipal. Ao detalhar sua saída do grupo intitulado “Vereadores 2025 e Prefeito”, a parlamentar expressou profunda insatisfação com a postura de Abilio. Alencar contextualizou que sua remoção foi uma resposta direta à manutenção de sua independência e convicções de voto, o que teria gerado o racha com o Executivo.
“Tô decepcionada. É um jogo político do qual eu nunca me permiti fazer parte, que é um jogo político muito baixo. E a decepção é ver um prefeito que sempre foi contra esse jogo fazendo ele. Por isso, não tô brava, é de se esperar de qualquer um, só não esperava dele”, ressaltou, em entrevista nesta quinta-feira (16).
A parlamentar fazia parte de um grupo de seis vereadores que foram excluídos pelo gestor sob a justificativa de que não estariam mais alinhados às estratégias da gestão municipal. Diante do impasse, Michelly reafirmou que sua atuação na Casa de Leis seguirá de forma autônoma, sem submissão a pressões externas.
“Sim, fui tirada. Não estou mais na base. Eu me declaro independente para ir para o caminho que eu quiser. O dia que eu quiser apoiar algum projeto da base, lá estou. E vou trilhar o meu caminho como sempre fiz”, declarou.
Michelly relatou ainda que o encerramento do diálogo por parte do prefeito foi abrupto: “Eu acho que ficou claro que não tem diálogo, não tem nada para a gente conversar, está tudo bem. Ele já tinha me dito, no dia que ele me tirou do grupo do WhatsApp, ele falou, obrigado até aqui, cada um segue o seu caminho. Está tudo certo, estamos seguindo os nossos caminhos”.
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Reforçando sua postura crítica à condução política de Brunini, a vereadora destacou que não aceitará o que chamou de "amarras" em seu mandato parlamentar.
“Nunca me permiti estar presa a amarras. E é por isso que eu mantive o meu voto e me tiraram desse grupo. Eu percebo que ali ficam aqueles que se permitem ser conduzidos. Quem conduz o meu mandato sou eu, e a ele eu retribuo a confiança à população”, concluiu.
IMPASSE NA CÂMARA
O cenário de crise no Legislativo cuiabano intensificou-se devido à judicialização da eleição da Mesa Diretora. O prefeito Abilio Brunini tem apoiado abertamente a reeleição da atual presidente, Paula Calil (PL), e ingressou com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) no Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) para tentar reduzir a exigência de quórum para mudanças regimentais de 18 votos (dois terços) para 14 votos (maioria simples).
Essa movimentação é vista por diversos parlamentares como uma ingerência indevida na autonomia do Parlamento, motivando a criação de um Manifesto Institucional em defesa da independência da Câmara. Por outro lado, Abilio justifica a exclusão dos vereadores dissidentes, que incluem nomes como Alex Rodrigues (Podemos) e Sargento Joelson (Podemos), como uma medida de segurança estratégica, alegando que o grupo teria migrado para um bloco político sob influência de lideranças externas.
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