O ministro da Agricultura e Pecuária (Mapa), Carlos Fávaro (PSD), rebateu as alegações do deputado federal coronel Alberto Fraga (PL-DF) de que a pasta estaria "vendendo" licenças para frigoríficos exportarem à China. Fávaro pontuou que trabalha para viabilizar a liberação de 77 plantas, na 'gaveta' desde 2009, e que 50 já foram avaliadas pelo governo chinês. O ministro de Mato Grosso também provocou Fraga, questionando se o parlamentar levantou essa polêmica e a jogou no ventilador do Congresso devido ao fato de sua namoradora ser proprietária de um frigorífico que ainda não foi contemplado com a autorização.
Conforme Fávaro, o Mapa fez uma "peneira" das plantas junto com a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC) e a Associação Brasileira de Frigoríficos (ABRAFRIGO), chegando a 20 nomes para facilitar a análise - atendendo a um pedido dos chineses - e, após a relação de empresas "vazar", os excluídos começaram a protestar. Um dos meios utilizados pelos empresários foi colocar em xeque a idoneidade da seletiva do Mapa.
"Acontece que tem pessoas que não estão nessas 20 e começaram a fazer todo um 'griteiro' desses. Tem que perguntar para esse deputado, que fez toda essa confusão, qual o interesse dele. Será por que a namorada dele é dona de um frigorífico e não ficou entre as 20? Não sei responder isso", disparou o ministro, na manhã desta segunda-feira (11), à Rádio Cultura.
Colocando luz sobre o tema, Carlos Fávaro esclareceu que viajou duas vezes à China para acelerar as negociações, sendo a primeira vez em março e a última em agosto, quando identificou que o impasse implicava em muitas perdas econômicas.
"Chegamos lá, em agosto, e vi que não habilitaram mais nada, estamos perdendo renda, divisas, oportunidades de emprego. Chamei a ABPA, ABIEC e a ABRAFRIGO, disse que queriam uma lista menor. Inclusive, outras 15 ficaram contra, portanto tem 77 plantas aptas a ser habilitadas. Chegamos num consenso de colocar 30, aí ficaria grande de novo, pois não falaram quantas seriam ideal. Fizemos uma lista de 20 pela ordem cronológica de quem cumpriu todos os documentos primeiro. Não significa que as outras estejam fora do sistema, estão lá", explicou o chefe do Mapa.
Após a sequência de articulações junto aos órgãos da China, Fávaro afirmou que o governo asiático já deliberou sobre 50 pedidos e agora o avanço depende dos empresários brasileiros.
"Nós vamos continuar com a mesma ordem cronológica. Nós temos 77 plantas aptas a serem habilitadas para a China de bovinos, suínos e aves. Das 77, mais de 50 já estão analisadas e, agora, o empresário precisa ir lá, negociar com os empresários chineses e a China vai decidir se vai habiluitar 4, 5, 15, 16 ou 20. Já não é mais um compromisso do governo brasileiro. Total transparência nesse assunto", garantiu o ministro.
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