O vereador por Cuiabá Daniel Monteiro (Republicanos) revelou um racha na Câmara Municipal ao afirmar que o bloco parlamentar liderado pela Presidente da Casa de Leis Paula Calil (PL) se recusa a cumprir um acordo firmado entre os 27 parlamentares para a definição da data da eleição da Mesa Diretora. A disputa interna busca pacificar o calendário eleitoral da Casa e evitar que o pleito seja alvo de questionamentos jurídicos, seguindo entendimentos recentes do Supremo Tribunal Federal (STF).
“Para a gente não desperdiçar tempo, a gente sentou 27 vereadores e colocou em disputa o meu grupo 1º de outubro, antes das eleições gerais, e o outro grupo apresentou através do vereador Mário Nadaf a ideia de fazer no dia 5 de novembro as eleições. Aí a gente decidiu que quem tivesse mais votos ficaria com a data. A gente ganhou 14 a 13, a hora que a gente ganhou a eleição eles falaram que não iam cumprir”, declarou Monteiro, em entrevista ao Jornal do Meio-dia, nesta sexta-feira (26).
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O cenário político na Câmara está dividido entre dois blocos principais. De um lado, Paula Calil busca viabilizar sua permanência com o apoio de 14 vereadores. De outro, o grupo liderado por Ilde Taques (Podemos), ao qual Daniel Monteiro e Maysa Leão (Republicanos) pertencem, conta com 13 parlamentares e defende a independência do Legislativo. Os dois grupos apresentaram propostas: o de Monteiro defendeu a definição para o próximo pleito para dia 1º de outubro, enquanto o bloco de Calil sugeriu o dia 5 de novembro.
O impasse ocorre devido ao Regimento Interno da Câmara de Cuiabá que prevê a eleição para o dia 25 de agosto, data que colide com a jurisprudência consolidada do STF. Ao explicar o risco de manter o calendário antigo, o vereador pontuou: “Hoje o Regimento Interno prevê dia 25 de agosto e o Supremo Tribunal Federal consagrou o entendimento de que tem que ser a partir de outubro. Portanto, se a gente realizar, isso com certeza vai ser judicializado”.
Daniel Monteiro concluiu sua denúncia descrevendo que, mesmo com a vitória de sua ala, o compromisso de unificação foi quebrado logo após a apuração.
“Eles não contavam que nós ganharíamos e aí na mesma hora e no mesmo dia disseram, na nossa frente, na segunda-feira, que não iriam cumprir o acordo”, finalizou.
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