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Política Quarta-feira, 19 de Junho de 2024, 20:21 - A | A

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Quarta-feira, 19 de Junho de 2024, 20h:21 - A | A

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Carlos Fávaro se enrola no depoimento e solta que Lula "sugeriu" pedido de demissão de Neri

Fávaro explicou que a recomendação foi feita durante reunião no Palácio do Planalto em 11 de junho para que não houvesse conflito de interesses na investigação do leilão do arroz

CAMILA RIBEIRO
Da Redação

Reprodução

Lula, Neri e Carlos Fávaro

O ministro da Agricultura e Pecuária (Mapa), Carlos Fávaro (PSD), enrolou-se em seu depoimento à Comissão de Agricultura na Câmara dos Deputados, nesta quarta-feira (19), e soltou que partiu do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a "sugestão" para que o ex-secretário de Política Agrícola, Neri Geller (PP), pedisse demissão. Fávaro explicou que a recomendação foi feita durante reunião no Palácio do Planalto em 11 de junho para que não houvesse conflito de interesses na investigação do leilão do arroz. Segundo o ministro, Neri foi comunicado um dia antes e concordou.  

Fávaro começou a receber os nomes das empresas vencedoras do certame em sua volta da China, em 15 de junho. Ele chegou na madrugada e agendou uma conversa na manhã do dia 16 com o ex-secretário. O ministro contextualizou as questões que relacionavam Neri Geller às suspeitas de fraude e ele as desmentiu. No dia seguinte, Lula "sugeriu" a exoneração. 

"Cheguei na madrugada do domingo e marquei a primeira reunião de manhã com o próprio Neri, depois no Ministério de Desenvolvimento Agrário, com a AGU (Advogacia Geral da União), com a CGU (Controladoria Geral da União) e, depois, remarcamos uma segunda reunião para fazer uma análise mais detalhada da equipe técnica e, na terça-feira de manhã, (marcamos reunião) com o presidente Lula", falou o ministro. 

Foi nesta conversa com o presidente que foi levantada a possibilidade das ações do governo federal serem colocadas em xeque e Lula "sugeriu" o pedido de demissão para 'limpar' a imagem do seu staff. O ministério contou que antes de anunciar o desligamento, ligou para Neri e ele consentiu.

LEIA MAIS: Fávaro diz que exoneração de Neri dá "credibilidade" ao governo, mas isenta ex-secretário

"Na terça-feira de manhã, (marcamos reunião) com o presidente Lula, quando foi dado (sic) os encaminhamentos de cancelar o leilão e o pedido, e a sugestão de que o Neri poderia pedir a demissão para que pudesse ser feita a investigação. Eu liguei para o Neri e ele disse que 'faça o que for', de forma muito cordial, e foi isso que anunciei", esclareceu Carlos Fávaro. 

Mas, na prática, houve um revés e, quando foi questionado sobre a exoneração, Neri Geller afirmou que não tinha nenhum aviso prévio, sendo informado pela imprensa. Fávaro desconversou. 

"Ele deve ter refletido e preferiu dizer que foi demitido, não foi a pedido", opinou o ministro. 

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