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Polícia Quinta-feira, 25 de Junho de 2026, 14:49 - A | A

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Quinta-feira, 25 de Junho de 2026, 14h:49 - A | A

ESQUEMA NO JUDICIÁRIO

Servidora alvo de operação é assessora de desembargador e recebeu R$ 23,3 mil em maio

A assessora é investigada pela Polícia Civil como elo de grupo suspeito de cobrar R$ 150 mil para influenciar decisões judiciais

SILVÉRIO ALMEIDA
Da redação

A servidora do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), Mhayra Alves Pacheco Abes, assessora do desembargador Juvenal Pereira da Silva, tornou-se alvo da Operação Falsa Vantagem, deflagrada pela Polícia Civil nesta quinta-feira (25). Ela é investigada por suposto envolvimento em um esquema que prometia influenciar decisões judiciais mediante pagamento de vantagens indevidas.

Segundo as investigações conduzidas pela Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) e pela Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco), Mhayra seria o principal elo do grupo criminoso dentro do Poder Judiciário.

Dados do Portal da Transparência do TJMT mostram que a servidora ocupava o cargo de Assessora Jurídica de Desembargador I no gabinete de Juvenal Pereira da Silva. Em maio de 2026, ela recebeu R$ 23.388,72 em créditos totais, compostos por remuneração paradigma de R$ 17.699,72 e indenizações de R$ 5.689,00. Após os descontos legais, o rendimento líquido foi de R$ 18.817,96.

A investigação aponta que integrantes do grupo teriam oferecido a familiares de um condenado a possibilidade de anular uma sentença judicial, alegando possuir influência junto à servidora. Para garantir o suposto benefício, foi cobrado o valor de R$ 150 mil em dinheiro vivo.

LEIA MAIS: Saiba quem é advogado investigado por suposto esquema de venda de influência no Judiciário

De acordo com a Polícia Civil, a exigência de pagamento em espécie teria sido uma estratégia para dificultar o rastreamento dos recursos. Apesar da promessa feita aos familiares, o resultado obtido foi apenas a redução da pena do condenado, sem a anulação da condenação, como havia sido assegurado pelos investigados.

Além de Mhayra, o advogado Ademir Rosa Gomes também é apontado como uma das lideranças do esquema e foi alvo das medidas judiciais. As investigações ainda alcançam bacharéis em Direito e uma policial penal lotada em Chapada dos Guimarães, embora ela não tenha sido alvo de mandados nesta fase da operação.

Os investigadores apuram possíveis crimes de extorsão, exploração de prestígio, estelionato, corrupção e organização criminosa. O objetivo é esclarecer como o esquema funcionava, identificar há quanto tempo estaria em atividade e localizar outras possíveis vítimas.

LEIA MAIS: Polícia mira grupo que cobrou R$ 150 mil para comprar decisão judicial

Durante a operação, foram cumpridos cinco mandados de busca e apreensão domiciliar expedidos pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juízo de Garantias de Cuiabá.

Segundo as investigações, além da assessora investigada, a operação também tem como alvos um advogado, bacharéis em Direito e um policial penal suspeitos de integrar o grupo criminoso. A Polícia Civil busca esclarecer a dinâmica do esquema, verificar se a atuação era recorrente, identificar há quanto tempo os envolvidos operavam e apurar a existência de outras pessoas que possam ter sido vítimas da suposta fraude.

EXONERAÇÃO IMEDIATA

Em nota, o Tribunal de Justiça de Mato Grosso informou que tomou conhecimento da Operação Falsa Vantagem por meio da imprensa e que, diante da possível participação da servidora nas investigações, o desembargador Juvenal Pereira da Silva determinou sua exoneração imediata.

O magistrado afirmou ainda que não tinha conhecimento prévio dos fatos apurados pela Polícia Civil. O TJMT destacou que está à disposição para colaborar com as investigações e reafirmou seu compromisso com a legalidade, a transparência e a integridade institucional.

CONFIRA A NOTA :

O Poder Judiciário de Mato Grosso informa que, até o presente momento, não foi oficialmente notificado acerca da operação policial denominada “Falsa Vantagem”, deflagrada pela Polícia Civil na manhã desta quinta-feira (25). A instituição tomou conhecimento dos fatos por meio da divulgação realizada pelos veículos de comunicação.

Tão logo soube da existência das investigações e da possível participação de uma servidora comissionada vinculada ao gabinete do desembargador Juvenal Pereira da Silva, o magistrado determinou sua imediata exoneração do cargo.

O desembargador esclarece que não possuía qualquer conhecimento prévio dos fatos investigados e reitera sua confiança no trabalho das autoridades responsáveis pela apuração do caso.

O Poder Judiciário de Mato Grosso reafirma seu compromisso com a legalidade, a ética, a transparência e a integridade institucional, colocando-se à disposição para colaborar com as autoridades competentes no que for necessário ao completo esclarecimento dos fatos.

Eventuais responsabilidades serão apuradas pelas instâncias competentes, sempre com observância ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa.

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