O policial federal Adriano Soares de Lima, investigado por supostamente ameaçar estudantes da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) durante as apurações do caso da chamada "lista de estupráveis", está afastado das atividades funcionais por licença médica. Além do afastamento, a Polícia Federal instaurou um Procedimento Administrativo Disciplinar (PAD) para apurar sua conduta e determinou o recolhimento de sua arma funcional.
A informação foi divulgada pelo portal Primeira Página nesta segunda-feira (1º). Segundo a publicação, o agente ainda não prestou depoimento à Polícia Federal sobre o caso e deverá ser ouvido após o retorno da licença.
Paralelamente, a Polícia Civil de Mato Grosso investiga denúncias de intimidação contra estudantes da universidade. O caso foi apurado por meio de um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO) instaurado pela 3ª Delegacia de Polícia de Cuiabá.
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Conforme a corporação, Adriano foi ouvido, negou as acusações e exerceu o direito constitucional de permanecer em silêncio. O procedimento foi concluído e encaminhado ao Juizado Especial Criminal (Jecrim).
As investigações relacionadas à suposta lista com conteúdo misógino e referências à violência sexual contra universitárias seguem sob responsabilidade da Delegacia Especializada de Defesa da Mulher (DEDM). A Polícia Civil informou que já realizou oitivas de testemunhas e outras diligências investigativas, incluindo medidas que dependem de autorização judicial.
Em razão do sigilo do inquérito, detalhes das apurações não foram divulgados.
Na esfera administrativa, a UFMT instaurou uma Comissão de Inquérito Disciplinar Discente para apurar os fatos envolvendo estudantes da Faculdade de Arquitetura, Engenharia e Tecnologia (Faet).
Segundo relatos encaminhados à universidade, Adriano Soares de Lima é pai de um dos alunos investigados e teria ido até o campus para confrontar estudantes que denunciaram o caso. Conforme os depoimentos, ele teria afirmado que, caso o filho não concluísse o curso, outros acadêmicos também não se formariam.
Após o episódio, a UFMT decidiu manter em formato remoto as atividades de uma turma do primeiro semestre de Engenharia Civil até a conclusão das investigações.
Por outro lado, a Polícia Civil informou que o policial registrou boletim de ocorrência alegando que o filho vinha sofrendo ameaças de outros estudantes, circunstância que teria motivado sua presença na universidade.
O caso ganhou repercussão após a divulgação de mensagens atribuídas a estudantes da UFMT contendo comentários misóginos e referências à violência sexual contra mulheres da comunidade acadêmica. Dois alunos, um do curso de Direito e outro de Engenharia Civil, foram identificados e suspensos preventivamente enquanto tramitam os procedimentos administrativos e policiais.
A repercussão também motivou protestos dentro da universidade, com estudantes, professores e servidores cobrando punições aos envolvidos e medidas de combate à violência de gênero no ambiente acadêmico.
*Com informações do Primeira Página.
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