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Caetano Veloso: 'O Brasil parece incapaz de salvar a si mesmo'

CONTEÚDO ESTADÃO
da Redação

Em entrevista ao jornal espanhol El País, Caetano Veloso compartilhou algumas de suas percepções a respeito de seu passado, do Brasil, e o futuro do Brasil.

Na Europa para uma série de shows, o cantor refletiu sobre o setlist e a forma como suas faixas são recebidas na atualidade. "A seleção de músicas é bem atual, porque são canções fortes que confrontam os absurdos do mundo. Elas vêm de diferentes períodos da minha vida, sim, mas agora soam diferentes porque o mundo parece muito louco."

Ao comentar o passado, Caetano refletiu a respeito da perseguição que sofreu durante a Ditadura Militar. Quando questionado sobre o tema e se ele teme que haja um retorno de regimes autoritários, o artista respondeu de forma afirmativa.

"Há pessoas que dizem publicamente que gostariam que a ditadura militar voltasse. E dizem isso com muita naturalidade. Para mim, isso é insuportável. Prisão, confinamento e exílio foram experiências muito dolorosas", completou. "Ficamos presos por dois meses, depois confinados por vários meses em Salvador e, posteriormente, exilados por mais de dois anos. Isso até mudou a forma como encaro o mundo."

Por fim, o cantor refletiu sobre o futuro do País. Veloso revela ter uma ideia alinhada à incerteza. "No momento, a preocupação predomina em mim; às vezes, uma espécie de desencanto. Tento evitar uma visão excessivamente idealizada da realidade", afirmou.

"A música popular brasileira ainda representa uma das grandes forças culturais do país, mas hoje as coisas estão tão feias… O Brasil parece incapaz de se salvar", disse o cantor. "Mas, ao mesmo tempo, ainda tenho a sensação de que ela pode dizer algo importante ao mundo, trazer uma presença diferente, uma outra sensibilidade. Esse sentimento não morreu dentro de mim."

(Com Agência Estado)

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