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Polícia Segunda-feira, 01 de Junho de 2026, 11:02 - A | A

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Segunda-feira, 01 de Junho de 2026, 11h:02 - A | A

MORTE EM CLÍNICA

Funcionário confessa que forjou suicídio de paciente encontrado morto: "fiquei com medo"

Preso pela morte de Alessandro Sidinei Braga, suspeito nega homicídio, mas admite ter alterado a cena do caso por medo de ser responsabilizado.

SILVÉRIO ALMEIDA
Da redação

Preso pela morte do paciente Alessandro Sidinei Braga, de 38 anos, o funcionário da Clínica Terapêutica Pró-Vida, em Cuiabá, admitiu ter alterado a cena onde a vítima foi encontrada, mas negou ter cometido o homicídio. Em depoimento, Odiley Rodrigues de Souza afirmou que simulou um suicídio por medo de ser responsabilizado pela morte.

Segundo o relato prestado à Polícia Civil, Alessandro fazia tratamento para esquizofrenia e apresentava comportamento bastante agitado no dia do ocorrido. O suspeito afirmou que o paciente estava causando tumulto dentro do quarto onde permanecia internado, o que exigiu uma intervenção por parte dos funcionários da unidade.

Odiley contou que entrou no cômodo acompanhado de outro colaborador para realizar a contenção do paciente. Durante o procedimento, as mãos de Alessandro teriam sido amarradas para trás com uma corda. Após a intervenção, o funcionário afirmou ter deixado o quarto trancado e se retirado do local.

Conforme o depoimento, ao amanhecer ele percebeu que todos os internos já haviam deixado seus quartos, exceto Alessandro. Ao verificar a situação, encontrou o paciente imóvel e sem apresentar sinais de reação.

LEIA MAIS: Funcionário mata paciente dentro de clínica e tenta simular suicídio

O suspeito afirmou ainda que tentou reanimar a vítima, mas não obteve sucesso. Segundo ele, Alessandro já estava morto quando foi encontrado. Apesar de negar qualquer participação direta no homicídio, Odiley confessou que criou uma falsa versão para explicar a morte. Inicialmente, ele informou que o paciente havia cometido suicídio por enforcamento dentro da clínica.

À polícia, o funcionário alegou que inventou a história porque temia ser responsabilizado pelo ocorrido. Ele também negou ter provocado a morte da vítima e chegou a sugerir que outros pacientes da unidade poderiam ter participado do caso.

No entanto, a investigação trabalha com a hipótese de que Alessandro tenha morrido durante a tentativa de contenção. Informações preliminares apontam que Odiley teria aplicado um golpe conhecido como "mata-leão" com força excessiva, causando a morte do paciente. Até o momento, não há indícios de que houvesse intenção de matar.

Outra linha de apuração indica que o suspeito teria colocado uma corda no pescoço da vítima após a morte para sustentar a versão de suicídio apresentada inicialmente aos policiais.

A farsa foi descoberta durante os trabalhos da Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec), que identificou inconsistências entre os vestígios encontrados no local e a dinâmica relatada pelos envolvidos.

O caso segue sendo investigado pela Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). Os laudos periciais, especialmente o exame de necropsia, deverão esclarecer a causa da morte e auxiliar na definição das responsabilidades criminais.

Confira o vídeo do depoimento

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