Uma investigação da Polícia Civil sobre um suposto esquema de fraudes em licitações e contratações públicas levou ao cumprimento de sete mandados de busca e apreensão em três municípios da região do Araguaia, em Mato Grosso. A operação, denominada Bid Rigging, apura a possível participação de empresas e pessoas que teriam atuado em contratos públicos de diferentes municípios.
Deflagrada pela Delegacia de Ribeirão Cascalheira, a operação ocorreu nesta terça-feira (18). Foram cumpridos quatro mandados em Ribeirão Cascalheira, dois em Luciara e um em Novo Santo Antônio.
A investigação aponta indícios de empresas registradas em nome de terceiros, direcionamento de licitações, contratações diretas supostamente irregulares e possível sobrepreço, além de suspeitas de falsificação de documentos e ocultação de patrimônio.
EMPRESAS APARECIAM EM VÁRIOS MUNICÍPIOS
A apuração começou após uma requisição do Ministério Público e foi ampliada a partir de denúncias recebidas pela Polícia Civil e da análise de documentos, contratos, procedimentos licitatórios, registros empresariais, dados fiscais e informações disponíveis nos Portais da Transparência.
Segundo a investigação, empresas e pessoas ligadas ao núcleo investigado apareciam de forma recorrente em contratos firmados por diferentes prefeituras. Os serviços analisados envolvem principalmente eventos, shows, locação de estruturas, equipamentos de som, iluminação e geradores.
Entre os municípios que aparecem na apuração estão Ribeirão Cascalheira, Novo Santo Antônio, Luciara, Porto Alegre do Norte, Tesouro, Santa Terezinha, São Félix do Araguaia, Alto Boa Vista, Canabrava do Norte e Santa Cruz do Xingu.
CONTRATOS DE R$ 2,38 MILHÕES
Um dos pontos analisados pela Polícia Civil está relacionado a uma empresa que, conforme dados do Portal da Transparência, recebeu aproximadamente R$ 2,38 milhões da Prefeitura de Luciara somente em 2025.
A investigação também identificou uma sequência de contratações diretas por inexigibilidade e dispensa de licitação, realizadas em períodos próximos e relacionadas à prestação de serviços para eventos, shows e estruturas.
Os contratos fazem parte do conjunto de informações que serão analisadas pela Polícia Civil para verificar se houve irregularidades ou eventual fraude nos processos de contratação.
SETE MANDADOS
As ordens judiciais foram autorizadas pela Justiça após representação da Delegacia de Ribeirão Cascalheira. As buscas ocorreram em imóveis residenciais e empresariais ligados aos investigados. Os policiais procuraram celulares, computadores, documentos, contratos, processos licitatórios, procurações e outros materiais que possam ajudar a esclarecer o funcionamento do suposto esquema.
Além das buscas, a Justiça determinou medidas cautelares contra seis inscrições empresariais relacionadas ao núcleo investigado e seus representantes. Entre as medidas está a proibição de contratar com o Poder Público e de participar de licitações, diretamente ou por meio de terceiros.
INVESTIGAÇÃO CONTINUA
A operação foi coordenada pela Delegacia de Ribeirão Cascalheira e contou com apoio das delegacias Regional e Municipal de Confresa, da Delegacia Especializada de Roubos e Furtos (Derf) de Confresa e da Delegacia de Porto Alegre do Norte.
Os materiais apreendidos serão analisados pelos investigadores. Dispositivos eletrônicos poderão passar por extração e perícia de dados, mediante as autorizações necessárias.
A Polícia Civil busca esclarecer a participação de cada investigado, identificar possíveis novos envolvidos e verificar a existência de outros contratos ou patrimônios eventualmente relacionados às práticas investigadas.
O termo “Bid Rigging”, que dá nome à operação, é utilizado para definir práticas de conluio destinadas a manipular a competitividade de processos de licitação.
Clique aqui e faça parte no nosso grupo para receber as últimas do HiperNoticias.
Clique aqui e faça parte do nosso grupo no Telegram.
Siga-nos no TWITTER ; INSTAGRAM e FACEBOOK e acompanhe as notícias em primeira mão.










