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Polícia Quinta-feira, 06 de Agosto de 2026, 21:44 - A | A

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Quinta-feira, 06 de Agosto de 2026, 21h:44 - A | A

HERITAGE

Nome de operação da PF faz referência a grupo financeiro ligado ao filho de Mauro Mendes

Investigação que apura suposto desvio de R$ 308 milhões em acordo entre MT e Oi cita estrutura de fundos de investimento; PF batizou ação como Heritage

GABRIEL BARBOSA
Da Redação

REPRODUÇÃO

Luis Antonio Mendes.jpeg

A escolha do nome da Operação Heritage, deflagrada pela Polícia Federal nesta quinta-feira (6), chama atenção por fazer referência a um dos grupos financeiros investigados no suposto esquema envolvendo um acordo de R$ 308 milhões entre o Governo de Mato Grosso e a operadora Oi.

Segundo a investigação, a PF identificou uma estrutura de fundos de investimento utilizada para movimentar os recursos oriundos do acordo tributário. Entre os veículos citados estão fundos ligados ao chamado grupo Heritage, que teria relação com pessoas próximas ao ex-governador Mauro Mendes (União Brasil), incluindo seu filho Luis Antonio Mendes.

A operação foi autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e apura suspeitas de crimes como lavagem de dinheiro, peculato, organização criminosa, crimes contra o Sistema Financeiro Nacional e uso indevido de informação privilegiada.

Conforme a investigação, após o acordo firmado entre o Estado e a Oi, os valores teriam sido transformados em direitos creditórios e distribuídos por fundos de investimento. A PF aponta que a movimentação ocorreu por meio de uma estrutura de “fundos em cascata”, com diferentes camadas financeiras, o que teria dificultado o rastreamento da origem e do destino dos recursos.

Entre os fundos citados na apuração estão Royal Capital e Lotte Word, administrados e custodiados pelo Banco Master. A investigação aponta que o Lotte Word teria adquirido participações em outros veículos de investimento, incluindo os fundos Golden Bird e Coliseu.

A PF investiga se parte dos recursos acabou beneficiando empresas e pessoas ligadas ao grupo político do ex-governador.

Mauro Mendes é um dos alvos da Operação Heritage. O ex-governador teve medidas cautelares determinadas pelo STF, incluindo recolhimento de passaporte e proibição de contato com outros investigados. O deputado federal Fábio Garcia (União Brasil), também citado na investigação, é outro alvo da apuração.

A investigação teve origem no acordo firmado em 2024 entre o Governo de Mato Grosso e a Oi para encerrar uma disputa tributária iniciada em 2009. O Estado realizou pagamento de R$ 308,1 milhões após a negociação.

Mauro Mendes e Fábio Garcia negam irregularidades. O ex-governador afirma que o acordo foi firmado dentro da legalidade, enquanto o deputado federal declarou que não foi alvo de busca e apreensão e sustenta não ter praticado qualquer ato relacionado ao caso investigado.

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