“Hoje você vai conhecer a morte” e “eu vou te matar”. Essas são algumas das ameaças que um jovem de 22 anos de idade afirma ter ouvido ao acordar sendo espancado dentro de um apartamento, em Cuiabá. O relato foi feito em entrevista ao programa SBT Comunidade, após a agressão atribuída a Douglas Lackman, de 24 anos, ex-servidor comissionado da Câmara Municipal.
O episódio ocorreu na tarde de quinta-feira (5), em um condomínio localizado na Avenida Fernando Corrêa da Costa, no bairro Poção. Segundo a vítima, Douglas conseguiu entrar no residencial porque tinha uma autorização de acesso válida por 24 horas, concedida no dia anterior.
O jovem explicou que o suspeito havia acompanhado uma pessoa ao apartamento para resolver um serviço relacionado à pia, que seria uma pendência com a ex-companheira. Na ocasião, foram feitas as medições necessárias e Douglas deixou o local.
De acordo com a vítima, as mensagens trocadas na ocasião indicavam que a autorização de entrada teria validade de 24 horas, a partir do período da tarde. Ele afirmou que possui conversas que comprovariam essa liberação.
Na manhã seguinte, o jovem dormia com a namorada quando foi surpreendido pelas agressões. Segundo o relato, um amigo em comum havia passado a noite no apartamento e saído para trabalhar, deixando a porta entreaberta.
A vítima contou que uma notificação no celular da namorada indicou a chegada de Douglas ao condomínio, mas os dois não perceberam o aviso porque estavam dormindo. O aparelho estava próximo ao jovem.
Ele afirma que acordou já recebendo socos e ouvindo ameaças de morte. Sem tempo para se defender inicialmente, conseguiu empurrar o suspeito e se afastar. A namorada também teria tentado conter o agressor.
Após a agressão, o jovem foi ao banheiro para limpar o rosto. Conforme a entrevista, Douglas deixou o quarto e telefonou para a mãe da ex-companheira, que também era sua ex-sogra. O suspeito teria procurado explicações sobre o comportamento da mulher.
Na entrevista, a mãe da vítima relatou que também recebeu uma ligação e ficou abalada com a situação. Segundo ela, o suspeito teria dito que o problema dele era com a ex-companheira e que queria ficar sozinho com ela. A mulher também afirmou que Douglas teria reconhecido que errou ao agredir o rapaz.
A mãe acredita que a agressão poderia ter terminado de forma ainda mais grave e levantou a hipótese de que o episódio teria sido premeditado. Ela relacionou essa suspeita à visita feita pelo ex-servidor ao apartamento no dia anterior. No entanto, a entrevista não apresenta comprovação de que a agressão tenha sido planejada.
Depois do episódio, a vítima e a namorada reuniram seus pertences, buscaram orientação e foram à delegacia para registrar a ocorrência.
EXONERAÇÃO
A Câmara Municipal de Cuiabá confirmou nesta sexta-feira (6) a exoneração de Douglas Lackman, que ocupava um cargo comissionado de chefe do Núcleo de Registro desde julho.
Em nota, o Legislativo informou que a decisão foi determinada pela presidência após tomar conhecimento do caso. A Câmara afirmou que não compactua com violência e que confia na apuração das autoridades.
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