Uma quadrilha de Santa Catarina, especializada em furtar caixas eletrônicos, se aliou a uma facção em Mato Grosso para usar moradores locais como olheiros e para lavar o dinheiro furtado, segundo investigação da Polícia Civil que resultou na Operação Círculo Vicioso, deflagrada nesta quinta-feira (5) pela Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) e pela Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco).
Segundo o delegado Igor Sasaki, os criminosos desembarcaram em Mato Grosso em dezembro e se uniram à facção local. "Esses indivíduos desembarcaram no nosso estado em dezembro e, a partir daí, eles se coadunaram com uma facção criminosa local e começaram a acontecer diversos furtos a caixas eletrônicos", afirmou.
O delegado explicou que a aliança era funcional: os criminosos de fora traziam a técnica, os de Mato Grosso davam o suporte local.
"Quando esses indivíduos que vêm de fora chegam ao Mato Grosso, eles se unem à facção criminosa no Mato Grosso para utilizar pessoas para servir como olheiros, para ajudar nos furtos e também para reintroduzir o dinheiro através de depósitos em diversas contas bancárias", explicou.
COMO OS CRIMINOSSO AGIAM
O grupo agia sempre durante a madrugada, com o estabelecimento fechado. Em alguns casos, eles furavam buracos na parede para entrar.
"Eles iam durante a madrugada quando o estabelecimento estava fechado, por vezes furavam buracos na parede, entravam através de buracos na parede, e ali eles entravam todos cobertos, com luva, máscara, e então iniciava a ação criminosa", relatou.
O principal instrumento era a lança térmica, um equipamento que chega a quatro mil graus Celsius e que, segundo o delegado, só pessoas muito qualificadas conseguem manusear. "Derrete um caixa eletrônico como se fosse uma folha de papel", afirmou.
Além dos furtos, o grupo usava um equipamento chamado "microtique", instalado nas redes das agências bancárias para subtrair dados sensíveis.
LAVAGEM DO DINHEIRO
Após o furto, o dinheiro saía tintado dos caixas eletrônicos. Por isso, o grupo fazia primeiro uma lavagem física, com produtos químicos, e depois a lavagem financeira.
"Eles faziam inicialmente uma lavagem física dos valores com produtos químicos e, na sequência, faziam o que a gente chama de lavagem de capitais propriamente dita, que é a reintrodução desse dinheiro no sistema financeiro através de múltiplos depósitos para pessoas diversas, empresas de fachada, para dar um ar de aparência de lícito esse dinheiro", explicou Sasaki.
A investigação identificou que a organização atuava estruturada em quatro núcleos: o dos que furtavam os caixas, o dos que subtraíam dados bancários, o dos que lavavam o dinheiro e o dos que eram beneficiados pelos valores.
Ao todo, foram 74 ordens judiciais, incluindo 10 prisões preventivas, 18 mandados de busca e apreensão, além de quebras de sigilo bancário e telefônico.Os mandados foram cumpridos em Mato Grosso, Santa Catarina e Maranhão. Em Mato Grosso, aproximadamente oito pessoas já foram presas, incluindo Douglas Floriano e Eduardo Domingues, apontados pela Polícia Civil como líderes do esquema.
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