A vendedora Vitoria Sara Bezerra Lupatini é alvo da Operação Pátio Paralelo, deflagrada pela Polícia Civil nesta quarta-feira (26), em Sorriso (a 397 Km de Cuiabá). Com prisão preventiva decretada, ela é investigada por associação criminosa e furto qualificado e não foi localizada durante as diligências.
Segundo a investigação, Vitoria teria exercido uma função central no esquema que utilizava a estrutura de uma concessionária para captar clientes, receber veículos usados como parte do pagamento e retirar esses automóveis do fluxo normal das negociações.
A suspeita teria participado diretamente da captação dos clientes, condução das negociações, recebimento dos veículos e direcionamento dos pagamentos. Os carros entregues como entrada na compra de outros automóveis teriam sido encaminhados para garagens relacionadas aos investigados sem que os valores correspondentes fossem abatidos das negociações como havia sido combinado.
A investigação também aponta que parte do dinheiro pago pelos consumidores teria sido direcionada para contas de pessoas físicas, terceiros e empresas ligadas aos suspeitos. A movimentação teria sido feita de forma a dificultar o rastreamento dos recursos e dar aparência regular às operações.
Conforme informações da investigação, o grupo teria movimentado aproximadamente R$ 50 milhões em apenas um ano. No caso específico de Vitoria, a movimentação financeira analisada teria chegado a cerca de R$ 12 milhões entre maio de 2025 e julho de 2026, considerando contas pessoais e jurídicas relacionadas a ela.
Até o momento, entre 15 e 20 clientes são apontados como possíveis vítimas. O prejuízo diretamente identificado já ultrapassa R$ 2 milhões, mas a Polícia Civil ainda apura a existência de outros casos e não descarta que o valor aumente.
CARROS ERAM RETIRADOS DAS NEGOCIAÇÕES
De acordo com a apuração, os clientes entregavam veículos usados para serem considerados como parte do pagamento na compra de outros automóveis.
Os carros, porém, teriam sido retirados do fluxo comercial da concessionária e encaminhados para outras garagens relacionadas ao grupo. Com isso, os veículos deixavam de seguir o procedimento esperado na negociação, enquanto os valores correspondentes não eram devidamente considerados na entrada dos automóveis adquiridos pelos consumidores.
A investigação aponta ainda que os suspeitos teriam utilizado diferentes contas bancárias para movimentar os recursos, incluindo contas próprias, de terceiros e de empresas relacionadas ao grupo.
PRISÃO PREVENTIVA
A Justiça autorizou a prisão preventiva de Vitoria, além de outras medidas contra os investigados. Durante a operação, foram expedidos mais de 20 mandados e determinações judiciais, incluindo sete buscas e apreensões, nove ordens de acesso a informações bancárias e cinco bloqueios de ativos financeiros.
Também foi determinado o sequestro de bens e a indisponibilidade de patrimônio até o limite de R$ 2 milhões.
Os policiais estão autorizados a apreender celulares, computadores, documentos, contratos, comprovantes de transferências, registros financeiros, veículos e outros materiais que possam ajudar a reconstruir a movimentação do dinheiro e identificar a participação de outros envolvidos.
Vitoria não foi encontrada durante o cumprimento das medidas e é considerada foragida. A Polícia Civil continua as diligências para localizá-la e avançar na identificação de possíveis novas vítimas e de outras pessoas ou empresas que possam ter participado do esquema.
A Operação Pátio Paralelo é conduzida pela Delegacia Municipal de Sorriso, por meio do Núcleo de Combate ao Crime de Estelionato e Lavagem de Dinheiro.
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