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Polícia Quarta-feira, 26 de Agosto de 2026, 11:41 - A | A

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Quarta-feira, 26 de Agosto de 2026, 11h:41 - A | A

PÁTIO PARALELO

Operação mira grupo que desviava carros de clientes e movimentou R$ 50 milhões

Investigação aponta que concessionária de Sorriso teria sido usada em fraudes, com prejuízo superior a R$ 2 milhões e até 20 possíveis vítimas.

DA REDAÇÃO

PJC-MT

Operação pátio paralelo

A Polícia Civil deflagrou, nesta quarta-feira (26), a Operação Pátio Paralelo, em Sorriso (397 km de Cuiabá), para desarticular um grupo investigado por desvio de veículos, fraudes em negociações comerciais, associação criminosa e lavagem de dinheiro. Segundo a investigação, os suspeitos movimentaram cerca de R$ 50 milhões em apenas um ano.

A apuração foi conduzida pela Delegacia Municipal de Sorriso, por meio do Núcleo de Combate ao Crime de Estelionato e Lavagem de Dinheiro. O caso começou após os investigadores identificarem irregularidades financeiras e comerciais em negociações realizadas por meio de uma concessionária do município.

De acordo com a Polícia Civil, os investigados teriam usado a estrutura e a credibilidade da empresa para atrair clientes durante aproximadamente um ano. Até o momento, entre 15 e 20 clientes são considerados possíveis vítimas, além da própria concessionária.

O prejuízo diretamente identificado já ultrapassa R$ 2 milhões, mas o valor pode aumentar conforme novas vítimas sejam localizadas e os investigadores avancem na análise das operações.

VEÍCULOS ERAM DESVIADOS

Conforme a investigação, os clientes entregavam veículos usados como parte do pagamento na compra de outros automóveis. Os carros, porém, teriam sido retirados do fluxo normal da negociação e encaminhados para outras garagens ligadas ao grupo.

Ainda segundo a Polícia Civil, os valores correspondentes aos veículos entregues não eram descontados da entrada das novas compras, como havia sido combinado com os clientes.

Os investigadores também apontaram que parte dos pagamentos feitos pelos consumidores teria sido direcionada para contas bancárias de pessoas físicas e empresas relacionadas aos suspeitos.

A apuração indica ainda que os investigados teriam utilizado contas próprias, de terceiros e de empresas para receber e movimentar o dinheiro. Algumas pessoas jurídicas também seriam usadas para dar aparência regular aos recursos obtidos por meio das supostas fraudes.

MAIS DE 20 ORDENS JUDICIAIS

A Justiça autorizou o cumprimento de mais de 20 medidas judiciais durante a operação. Entre elas estão um mandado de prisão preventiva, sete mandados de busca e apreensão, nove determinações para acesso a informações bancárias e cinco ordens de bloqueio de ativos financeiros.

As equipes estão autorizadas a apreender celulares, computadores, notebooks, tablets, HDs, pendrives, cartões de memória, documentos, contratos, comprovantes de transferências, registros financeiros, veículos e outros materiais que possam contribuir para a investigação.

Também foi autorizado o acesso a dados bancários, fiscais e de comunicações dos investigados. A medida permitirá aos investigadores acompanhar a movimentação do dinheiro, identificar de onde os valores vieram e para onde foram enviados, além de analisar registros relacionados aos dispositivos utilizados pelos suspeitos.

No âmbito patrimonial, a Justiça determinou o bloqueio de valores, o sequestro de bens e a indisponibilidade de patrimônio até o limite de R$ 2 milhões. Veículos encontrados durante as buscas também poderão ser apreendidos caso existam indícios de ligação com os crimes investigados.

Uma das investigadas é alvo de mandado de prisão preventiva. Conforme a decisão judicial, ela teria desempenhado uma função considerada central no funcionamento do esquema.
A suspeita é apontada como responsável, entre outras atividades, pela captação de clientes, condução das negociações, recebimento dos veículos, direcionamento dos pagamentos e movimentação dos recursos.

NOME DA OPERAÇÃO

O nome Pátio Paralelo faz referência ao caminho que os veículos entregues pelos clientes supostamente percorriam. Em vez de permanecerem no fluxo comercial regular da concessionária, os automóveis seriam encaminhados para um circuito paralelo envolvendo terceiros e uma empresa relacionada aos investigados.

A Polícia Civil continua as diligências para descobrir o destino dos veículos e dos valores movimentados, além de identificar possíveis novas vítimas e verificar a participação de outras pessoas ou empresas no esquema.

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