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Quarta-feira, 26 de Agosto de 2026, 12h:30 - A | A

Candidato à Presidência da França sugere calote da dívida do país

CONTEÚDO ESTADÃO
da Redação

O líder do partido França Insubmissa, Jean-Luc Mélenchon, um dos favoritos nas pesquisas para as eleições para a presidência francesa em 2027, lançou uma polêmica ao citar em uma proposta de campanha para "jogar no fogo" 600 bilhões de euros de dívida do país. Segundo o seu argumento, neste caso, "tudo o que temos a fazer é pegar os 18% detidos pelo Banco da França", o que gerou uma série de críticas pela medida ser vista como uma forma de possível calote.

"Isso é uma fraude em estado puro. Quando você toma emprestados 100 euros e decide não devolvê-los, você não criou 100 euros. Você tirou 100 euros daquele que lhos emprestou. Neste caso, os juros da dívida detida pelo Banco de França e recebidos por este são transferidos para o Tesouro Público sob a forma de dividendos. Em outras palavras, o que você propõe não gera nada", afirmou o primeiro-ministro da França, Sébastien Lecornu, em uma postagem na rede social X. "Por outro lado, isso destruiria o ativo mais importante do nosso país: a confiança", disse.

Líder do partido Reagrupamento Nacional, que conta com Marine Le Pen com candidata às eleições do próximo ano, Jordan Bardella usou a mesma rede social para questionar Mélenchon. "Tal anulação poderia preocupar os investidores, que poderiam temer que o Estado se sentisse tentado a fazer o mesmo com os credores privados. Eles então exigiriam taxas de juros mais elevadas para financiar a dívida francesa", afirmou.

O banqueiro de investimentos de orientação esquerdista Matthieu Pigasse manifestou apoio a Mélenchon. Na conferência França Insubmissa, realizada no último fim de semana, Pigasse afirmou que os títulos mantidos no Banco da França poderiam ser cancelados "sem qualquer impacto econômico ou financeiro". Seus comentários desencadearam uma discussão acalorada na rede social X com o ex-economista-chefe do FMI, Olivier Blanchard, que classificou o debate como "idiota".

Segundo a mais recente pesquisa da Toluna-Harris Interactive para a M6 e a RTL, Mélenchon se classificaria para o segundo turno em três dos cinco cenários testados. O candidato registra atualmente mais de 16% das intenções de voto, um aumento em relação aos 12% apontados na pesquisa anterior do instituto, realizada em abril. Potencialmente assim, Mélenchon enfrentaria Le Pen em um eventual segundo turno.

(Com Agência Estado)

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