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Polícia Sexta-feira, 11 de Setembro de 2026, 17:59 - A | A

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Sexta-feira, 11 de Setembro de 2026, 17h:59 - A | A

CASO GLEICI KELI

Família de agrônomo registra BO contra advogado, que ameaça divulgar mais imagens

Irmão de Daniel procurou a Polícia Civil para questionar divulgação; Rodrigo Pouso rebateu e afirmou que ainda pretende apresentar outros vídeos do caso

GABRIEL BARBOSA
Da Redação

REPRODUÇÃO

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A família do engenheiro Daniel Bennemann Frasson registrou um boletim de ocorrência contra o advogado Rodrigo Pouso Miranda após a divulgação de vídeos que mostram momentos anteriores e durante os ataques contra Gleici Keli Geraldo e a filha, em Lucas do Rio Verde (332 km de Cuiabá). Em resposta, o advogado rebateu as acusações e afirmou que ainda pretende divulgar outras imagens relacionadas ao caso em que Daniel é suspeito de matar a facadas a esposa Gleici Keli Geraldo, além de tentar matar a filha do casal em junho de 2025.

O BO foi registrado por Thiago, irmão de Daniel, que afirma ser curador dele. Segundo o documento, Rodrigo teria publicado nas redes sociais vídeos que estariam relacionados a um processo que tramita em segredo de Justiça. A família pediu a retirada das imagens e relatou preocupação com a repercussão do conteúdo.

Em áudio, Rodrigo contestou a versão apresentada no boletim e afirmou que os vídeos não fazem parte do processo que está sob sigilo. “Esse vídeo não está relacionado com processo nenhum, esse vídeo não tem sigilo. Esse vídeo é de propriedade inclusive da filha, das filhas da vítima”, declarou.

LEIA MAIS: Câmera registrou agrônomo pegando faca, atacando esposa e filha pedindo socorro após ataques

Durante a manifestação, Rodrigo afirmou que as imagens divulgadas até agora não foram anexadas ao processo, mas que pretende apresentar o material à Justiça para utilização no julgamento. “Eu vou juntar esses vídeos para serem usados lá no Tribunal do Júri”, afirmou.

A declaração ocorre após a família de Daniel questionar justamente a divulgação das imagens. O advogado também sinalizou que há outros conteúdos que podem ser apresentados no decorrer da discussão judicial.

LEIA MAIS: Filha de vítima de feminicídio contesta laudo após câmeras mostrarem comportamento de agrônomo antes do crime

Rodrigo ainda criticou o registro do BO em nome da filha de Gleici, que sobreviveu aos ataques. Segundo ele, a menina é representada judicialmente por seu escritório. “Ele fez também o BO em nome dela, mas eu que sou advogado dela, como é que você faz um BO com a minha cliente?”, questionou.

Na sequência, Rodrigo fez um alerta a Thiago sobre o conteúdo do boletim de ocorrência e mencionou a possibilidade de responsabilização por denunciação caluniosa. “Cuidado com a história aí de denunciação caluniosa”, afirmou.

O advogado também rebateu especificamente a afirmação de que os vídeos estariam vinculados a um processo sigiloso. “O que está vinculado a um processo sigiloso foi a conduta do seu irmão de ter ceifado a vida da esposa e tentado contra a vida da filha. Agora a imagem? Não. Esses vídeos não estão lá”, declarou.

A discussão ocorre em meio à nova repercussão do caso após a divulgação das imagens das câmeras de segurança. O conteúdo passou a ser usado pelo advogado das vítimas para questionar a interpretação sobre a capacidade de Daniel de compreender os próprios atos no momento do crime.

No boletim, Thiago relata que Daniel é parte de um processo que tramita em segredo de Justiça e afirma que Rodrigo divulgou vídeos relacionados ao caso em uma rede social.

O comunicante afirma que as imagens expõem Daniel e familiares e que a divulgação provocou repercussão e preocupação entre parentes. Por isso, procurou a Polícia Civil para pedir a remoção do conteúdo e solicitar a apuração de eventual responsabilidade civil e penal.

O registro não significa, por si só, que houve crime por parte do advogado. A eventual responsabilidade pela divulgação das imagens deverá ser analisada pelas autoridades competentes.

O CASO

Gleici Keli Geraldo foi morta dentro de casa, em Lucas do Rio Verde, em junho de 2025 por Daniel Bennemann Frasson, marido da vítima. Ele também atacou a filha do casal, que sobreviveu. O caso voltou a ganhar repercussão após a divulgação de imagens de câmeras de segurança que registraram parte da movimentação dentro da residência antes, durante e depois dos ataques.

Laudos psiquiátricos produzidos durante o processo apontaram que Daniel seria inimputável, com diagnósticos de esquizofrenia e transtorno bipolar. A conclusão, porém, é discutida judicialmente e já foi alvo de questionamentos e de determinação de nova perícia.

Daniel permanece internado em uma clínica particular em Cuiabá.

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