A delegada Janira Laranjeira relatou ter recebido mensagens de intimidação após se posicionar publicamente em defesa da investigação e da prisão do policial civil acusado de estuprar uma mulher dentro da delegacia de Sorriso (a 400 Km de Cuiabá). Segundo ela, as tentativas de silenciamento ocorreram depois de compartilhar a notícia da prisão preventiva do investigador e defender a responsabilização criminal.
Em vídeos e publicações nas redes sociais, Janira afirmou que as mensagens buscaram transformar seu posicionamento em ataques pessoais e constrangê-la por apoiar a apuração técnica e a proteção da vítima. “Defender a vítima não é traição, não é deslealdade. Silenciar diante da violência é que é errado”, disse.
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A delegada destacou que não fala como responsável pelo inquérito, mas como cidadã e profissional que atua há anos no enfrentamento à violência contra a mulher. Para ela, o foco deve permanecer no crime: “Uma mulher foi estuprada dentro de uma unidade policial, sob custódia do Estado”.
Janira também criticou o corporativismo e afirmou que confundir proteção institucional com acobertamento de crimes enfraquece a própria polícia. “Quando alguém tenta calar quem defende a legalidade e a investigação, isso não é institucional. É uma conduta individual que precisa ser denunciada”, declarou.
As manifestações ocorreram após a prisão preventiva do investigador Manoel Batista da Silva, apontado pela investigação como autor dos abusos contra uma detenta na delegacia de Sorriso. Exames periciais e confronto de material genético indicaram compatibilidade entre o DNA encontrado na vítima e o do servidor.
Apesar da gravidade do caso, Janira ressaltou que a apuração foi conduzida com base em provas técnicas e respeito ao devido processo legal, destacando a atuação da delegada responsável pelo inquérito e da equipe envolvida nas diligências.
“Meu compromisso é com a verdade, com a vítima e com a justiça”, concluiu.
O CASO
Uma mulher foi presa temporariamente em dezembro de 2025 em Sorriso (a 400 Km de Cuiabá), suspeita de envolvimento em um homicídio, mas depois a própria Polícia Civil reconheceu que a prisão foi baseada em um depoimento falso e pediu a soltura. Enquanto estava custodiada na delegacia, entre a noite de 9 e a manhã de 10 de dezembro, a mulher relatou ter sido estuprada quatro vezes por um investigador da Polícia Civil, que a acompanhava em procedimentos e teria agido sob ameaça contra a filha da vítima.
Após ser solta, a mulher procurou o Ministério Público, que determinou a realização de exames periciais. O laudo confirmou a presença de sêmen e, posteriormente, o material genético foi confrontado com o DNA dos policiais que estavam de plantão, apontando compatibilidade com o investigador Manoel Batista da Silva. Com base nas provas, a Polícia Civil pediu a prisão preventiva do servidor, que foi decretada pela Justiça e cumprida no dia 1º de fevereiro de 2026. O inquérito segue em andamento, sob acompanhamento do Ministério Público e da Corregedoria da Polícia Civil.
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